O Padre José António Almeida é o principal rosto do projecto que, pretende alargar a resposta so
Construído há cerca de três anos, o Lar da Fundação Comendador Serafim Marques, em São Paio de Gramaços, iniciou a sua actividade, de índole privada, no início deste ano. Já frequentado por uma dezena de utentes, o novo espaço – com capacidade para acolher 42 pessoas – tem como principal rosto o padre José António Almeida que, com o irmão Pedro Almeida constituiu a empresa Vita Maravilha, agora responsável pela exploração do segundo lar privado em funcionamento no concelho de Oliveira do Hospital.
Associado a uma obra social sobejamente conhecida nos concelhos de Santa Comba Dão e Carregal do Sal, José António Almeida rumou a Oliveira do Hospital com o intuito de pôr em marcha o projecto que vinha idealizando há já algum tempo com Pedro Almeida. Ao Correio da Beira Serra disse até desconhecer qual a realidade, em matéria de respostas sociais, existente no concelho oliveirense. “Não fizemos qualquer estudo. Optámos por vir, porque tivemos conhecimento da existência deste lar pronto a abrir”, contou o padre José António, valorizando ainda o facto de não estar muito afastado do projecto que tem em marcha com o Centro Social e Paroquial de São João de Areias, no distrito de Viseu.
Bastaram quatro meses para que o processo de arrendamento e a abertura do lar se concretizassem. “Apresentámos uma proposta justa ao senhor comendador”, contou o sacerdote de 44 anos, dando conta da existência de outras propostas para aquele espaço.
De portas abertas para receber pessoas oriundas de qualquer ponto do país – a mensalidade é de 850 euros – o Lar da Fundação Comendador Serafim Marques está pensado para ser um “lar diferente”. A disponibilização de um pacote cultural e de respostas mais personalizadas é uma das metas atingir pelos irmãos Almeida, que esperam “progressivamente” aumentar a ocupação do equipamento e até poder avançar para a criação de uma unidade de cuidados continuados.
“Só a dimensão pastoral não me satisfaz”
Com uma vida totalmente dedicada à solidariedade social, em especial junto dos idosos e pessoas mais carenciadas, o padre José António Almeida justifica a sua aposta no sector privado, com o receio de um dia poder ficar privado da obra que ajudou a construir, nos concelhos de Carregal do Sal e Santa Comba Dão. “Sou um pároco de passagem e o Bispo até já me convidou a sair”, confidenciou ao CBS, recusando envolver-se no trabalho que possa vir a ser dinamizado pelo seu sucessor. “Não quero ficar a sofrer por alguma coisa estar a correr menos bem”, sublinhou, dando conta da sua necessidade de estar envolvido na área social porque: “só a dimensão pastoral não me satisfaz”.
Num olhar pelos 20 anos de sacerdócio, José António Almeida admite que foram os “melhores tempos” da sua vida. Contudo , recusa-se a “viver frustrado” se um dia for assolado por “um desencanto como padre”. “Tenho que ter outro rumo”, sustentou, referindo que até para a área privada é preciso ter “vocação”, porque não basta que seja um lar de luxo para fazer os utentes felizes. “É preciso outra coisa”, avançou, referindose à qualidade da resposta que disponibiliza no Lar da Fundação Comendador Serafim Marques.
“Não deve existir qualquer tipo de inveja ou de rivalidade”
Volvidos apenas cerca de um mês e meio de actividade, o primeiro balanço é positivo, porque a “muita dedicação” dos quatro colaboradores envolvidos no projecto da Vita Maravilha têm ajudado a ultrapassar os momentos mais difíceis. Numa antevisão daquilo que vão ser os próximos tempos, José António Almeida disse acreditar no sucesso do projecto em que está envolvido, embora continue a manter o sonho de poder vir a trabalhar na área do apoio a crianças abandonadas.
