Correio da Beira Serra

Líder do PS elogiou coragem do autarca de Midões que renunciou ao cargo

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, elogiou hoje o presidente da Junta de Freguesia de Midões, em Tábua, que na sexta-feira renunciou ao cargo por não conseguir formar executivo. “Este caso é muito singular, porque mostra como os valores e os princípios sobrepõem a utilidade política e aqui o nosso presidente da junta foi um bom exemplo, porque cumpriu aquela que era uma orientação fundamental de nós não fazemos maiorias com aqueles que pelo país estão contra a democracia e contra a Constituição”, elogiou José Luís Carneiro.

O líder dos socialistas considera que o autarca de Midões, Paulo Portugal, “teve essa coragem e determinação” e, por isso, marcou hoje presença nessa freguesia do concelho de Tábua para “sinalizar o apoio e a força” que diz dar a “quem tem carácter e coragem para defender os valores fundamentais”.

O almoço hoje realizado para dar as boas vindas aos novos 50 militantes do PS foi também de apoio a Paulo Portugal que, à agência Lusa, disse que seria “novamente candidato”, às eleições intercalares que serão marcadas devido à sua renúncia.

Nas autárquicas de 12 de Outubro de 2025, o PS venceu as eleições para a Junta de Freguesia de Midões, com 491 votos, elegendo quatro elementos, enquanto a Coligação Correr por Tábua obteve 298 votos e o partido Chega 200 votos, elegendo três e dois elementos, respectivamente.

Na sexta-feira, em comunicado, os elementos eleitos a Midões pela lista do PS anunciaram a renúncia dos mandatos “perante o impasse político que se arrasta há mais de um ano e que, apesar das várias Assembleias de Freguesia realizadas, continua a impedir a constituição de um executivo capaz de assegurar o normal funcionamento da Junta e dar as respostas de que a população anseia”.

No documento, Paulo Portugal diz que, “desde o primeiro dia” manifestaram “disponibilidade para o diálogo e construção de uma solução de entendimento” e apesar dos contactos realizados com o adversário que ficou em segundo lugar, a Coligação Correr por Tábua, não obteve qualquer resposta até à assembleia de tomada de posse. “Ficou então evidente a dificuldade em alcançar um entendimento, uma vez que ambas as forças da oposição, a Coligação Correr por Tábua e o Chega, reivindicavam um lugar no executivo, na qualidade de vogais da Junta de Freguesia”, lê-se.

Segundo os socialistas, aquela posição manteve-se nas assembleias seguintes, chegando mesmo a ser apresentada uma proposta de executivo que integrava as três forças políticas, na qual “o PS, que ganhou as eleições de forma inequívoca, ficaria em minoria”. O autarca Paulo Portugal considerou ainda que a renúncia “não representa uma desistência do compromisso assumido, mas uma cedência da força política mais votada, na expectativa de que o gesto permita ultrapassar o bloqueio existente e devolver à freguesia a estabilidade de que necessita”.

O candidato da coligação Correr por Tábua (PSD/CDS-PP/IL), por seu lado, assegura que esteve “sempre disponível para dialogar” e acusou os socialistas de o terem proposto para o executivo sem nunca levarem a proposta a votação. “Se têm levado a proposta a votação tinha aceitado”, referiu José Francisco, que rejeitou culpas no impasse que se verifica há mais de um ano, considerando que, se não houve acordo, “deveriam logo ter-se demitido para permitir novas eleições, e evitavam que a freguesia estivesse no actual estado”.

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