O Conselho de Administração (CA) da Fundação D. Maria Emília Vasconcelos Cabral não aceitou os elementos nomeados pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital para aquele instituição, alegando que os estatutos que regiam aquele organismo não são validos e foram revistos “de acordo com a legislação em vigor”, deixando de fora os elementos nomeados pela autarquia. Perante esta atitude, o presidente do município, José Carlos Alexandrino, que durante os últimos cinco anos não terá exercido as responsabilidades que lhe competiam dentro da instituição, ameaçou agora apresentar queixa ao Ministério Público e agir judicialmente contra a Fundação. Entretanto, já seguiu uma carta para aquela instituição a dar conta da tomada de posição do município e a pedir esclarecimentos. Um confronto que, segundo quem acompanha o processo, poderá levar à queda do actual CA e entregar a liderança da Fundação ao ex-autarca Mário Alves, aquele que à luz dos estatutos tem o direito de ocupar o cargo.
“Todas as decisões tomadas por parte de quem dirige a Fundação, do nosso ponto de vista, são ilegítimas, porque há elementos que segundo os estatutos não podem estar no Conselho de Administração, enquanto outros que deveriam estar, não estão. Além disso, a Fundação também peca por não exercer a actividade para que foi criada, o que no extremo poderia levar à sua extinção”, explicam especialistas contactados pelo CBS, para quem o elemento designado pelo Bispo da Diocese de Coimbra é o único que se encontrará no CA respeitando o que está legalmente estabelecido. “O artigo 10º dos estatutos ressalva uma forte componente do poder local na gestão da Fundação, para cumprir os desejos do instituidor Francisco Manuel Cabral Metello. Aparentemente, com a modificação mais recente dos estatutos – como indicia o conteúdo da carta da Fundação em resposta à Câmara -, o mesmo poder local parece ter sido eliminado da composição do CA. Esta alegada reformulação pode ser lida, no limite, como uma tentativa de golpe palaciano por parte do actual CA e, em particular, do seu presidente António Simões Saraiva. Mesmo que os elementos do CA estivessem legais, como poderiam alterar os estatutos sem convocar a Câmara Municipal e mesmo as juntas de freguesia?”, questiona outro elemento. O CBS tentou contactar António Simões Saraiva, mas, como aconteceu noutras circunstâncias, todas as tentativas de contactar a Fundação D. Maria Emília Vasconcelos Cabral fracassaram. O telefone nunca foi sequer atendido.
O CBS, recorde-se, levantou o problema do funcionamento da Fundação D. Maria Emília Vasconcelos Cabral em Janeiro de 2015. Nesse mesmo mês, o eleito António Lopes questionou a autarquia oliveirense sobre o estado de legalidade dos órgãos sociais da instituição. A resposta do executivo liderado por José Carlos Alexandrino foi sintética. Remeteu quaisquer explicações para a Fundação que, no seu entender, tinha “órgãos próprios a quem compete a gestão do seu património nos termos legais”, frisando que qualquer outra questão deveria ser colocada ao respectivo presidente do Conselho de Administração. A resposta não agradou ao ex-presidente da Assembleia Municipal que recorreu para a
Nos últimos tempos, a autarquia só marcou presença no CA da instituição durante o mandato de Mário Alves. O representante era o próprio presidente da autarquia. Mas também este entrou em rota de colisão com António Simões Saraiva. Nenhuma das suas propostas vingou. Mário Alves queria que fosse feito um inventário rigoroso de todo o património da Fundação, bens móveis e imóveis. “Não conseguiu que fosse para a frente, porque o presidente do Conselho de Administração conseguia sempre protelar. Apenas ficou a saber que havia muitos bens em prata que estariam guardados num cofre de um banco. Mas nunca os viu”, conta uma fonte próxima do ex-presidente eleito pelo PSD que viu igualmente goradas, entre outras, a sua proposta para que a Casa Museu fosse aberta ao público durante um determinado horário e mediante o pagamento de um ingresso. “Aborrecido com a situação e com as atitudes de, Mário Alves também deixou de comparecer nas reuniões”, concluiu a mesma fonte. Talvez, remata, esta incompatibilização com António Simões Saraiva tenha levado o anterior autarca a não aceitar o cargo no CA da Fundação que lhe cabia por inerência.
Fonte da foto principal: site da Fundação D. Maria Emília Vasconcelos Cabral
