O primeiro-ministro avisou hoje que, com o reforço de meios do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, têm de haver melhores resultados no combate aos fogos. Este ano, os meios previstos representam um aumento em relação a 2025, com 15.149 operacionais, 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos nos meses mais críticos, entre 1 de Julho e 30 de Setembro, no denominado ‘nível Delta’.
“Se temos muito mais viaturas, máquinas de rasto, mais equipas e disponibilidade, não nos podemos conformar com o mesmo resultado ou resultados piores. Queremos melhores resultados. Os investimentos têm de ter esse retorno”, afirmou Luís Montenegro durante a apresentação do DECIR em Ponte da Barca, Viana do Castelo.
O chefe do Governo insistiu que a palavra de ordem numa situação de dúvida é “resolver”. “E se algum dia numa determinada operação houver dúvidas de que falta uma ordem qualquer, a ordem que nós queremos dar é para andarem para a frente. Deixem-se de burocracias e tecnocracias porque o povo não merece estar à espera de uma resposta só porque falta interpretar uma vírgula ou um parágrafo numa determinada regra”, acrescentou, numa cerimónia que contou com as presenças dos ministros da Defesa, Ambiente e Agricultura e Mar.
Segundo Luís Montenegro, o interesse público está sempre à frente e a palavra de ordem é resolver, não esperar. “Não basta exibir números, temos de exibir resultados. A única preocupação são as pessoas, o património, independentemente de onde estão os riscos”, reforçou.
O primeiro-ministro explicou ainda que a escolha de Ponte da Barca para a apresentação do dispositivo se deve ao facto de, em 2025, ter sido um concelho muito fustigado pelos incêndios. “Estamos aqui para sinalizar que não estamos distraídos, que não estamos desatentos; prevenir é sempre o melhor caminho para evitar catástrofes ou pelo menos reduzir a sua dimensão negativa. Este dispositivo foi aprovado com antecedência para ter todas as condições para ser executado em toda a sua dimensão”, afirmou.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou que será aprovado em breve pelo parlamento um regime para as áreas integradas de gestão da paisagem, que prevê a remoção do material lenhoso até 1 de Junho e a sua colocação no mercado. Segundo o governante, milhares de hectares com material lenhoso derrubado pelas tempestades precisam de ser rapidamente removidos, caso contrário transformam-se em combustível. Trata-se de um regime temporário que permite a intervenção célere nos concelhos abrangidos pela declaração de calamidade.
“Quando os proprietários não actuam, o corte, remoção e transporte do material lenhoso será feito directamente pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, recorrendo, se necessário, à contratação simplificada em situações de urgência. A colocação do material no mercado será feita com mecanismos de compensação”, explicou Luís Neves.
