O líder do PSD realizou ontem o último dia do programa Sentir Portugal… pelo distrito da Guarda, voltando a defender a necessidade urgente de aplicar discriminação positiva aos territórios do interior. Luís Montenegro falava em Celorico da Beira onde o Presidente da República acabara de inaugurar a 44ª edição feira do queijo daquela vila. O encontro foi inevitável e o líder do maior partido da oposição e Marcelo Rebelo de Sousa cumprimentaram-se com um efusivo abraço, antes de seguirem caminhos diferentes na visita pelos vários expositores presentes no evento.
“Foi uma coincidência que não estava prevista, mas é uma feliz coincidência”, realçou o líder social-democrata que elogiou Marcelo Rebelo de Sousa e a sua capacidade para “puxar pelas forças da sociedade portuguesa, neste caso pelos produtores do queijo Serra da Estrela, pelos expositores e, estou certo, também pelos partidos políticos e pela alternativa política”, sublinhou, adiantado que em Abril a semana do programa Sentir Portugal… será em Lisboa e já foi convidado pelo presidente da República para visitar o Palácio de Belém. “Mas como devem calcular conversamos regularmente”, confessou.
“Os distritos de baixa densidade devem estar representados na Assembleia da República em função do seu território”
Luís Montenegro, como balanço desta visita, criticou o Governo liderado por António Costa que, o seu entender, tarda em colocar no terreno medidas para combater a desertificação destes territórios. Montenegro elogiou ainda o que classificou de “resiliência e raça” da população contrariar as dificuldades que se lhe colocam. “Mantendo actividades no limiar da rentabilidade, tais são os custos elevados que as operações económicas comportam nestes territórios, nomeadamente ao nível das acessibilidades, dos custos da energia, da falta de mão de obra na agricultura, indústria e turismo. São resistentes e resilientes. Querem com os autarcas da região contrariar aquilo que parece uma fatalidade: o despovoamento desta região”, acusou.
Referindo que no final deste périplo pelo distrito da Guarda reforçou a convicção que os poderes públicos têm de deixar de falar tanto na coesão e aplicar definitivamente a uma discriminação positiva destes territórios, Montenegro salientou que o “país tem de perceber que é do interesse do interior e do litoral que essas políticas de discriminação positiva para os territórios de baixa densidade cheguem à vida concreta das pessoas”.
“Vi aqui gente com muita garra e resiliência para contrariar… a desertificação”
“Temos um plano para isso. Não é por acaso que a prioridade do PSD no processo de revisão constitucional é o princípio da coesão territorial e da da representação dos distritos menos povoados em termos de mandatos na Assembleia da República seja baseado em termos de território. Está no topo das nossas prioridades. Já tínhamos essa convicção, mas saiu daqui com essa certeza reforçada”, sublinhou.
O líder do PSD insistiu que este escrutínio à inacção do Governo não pode ser visto “como uma desesperança no território e no seu maior património que são as pessoas”. “Acredito nas potencialidades desta terra, nas potencialidades naturais, patrimoniais e históricas. Mas acredito sobretudo na maior das riquezas que uma terra tem que são as pessoas. Vi aqui gente com muita garra para contrariar aquilo que tem sido a marca dos últimos anos que é o despovoamento destes territórios”, concluiu, depois de referir que ainda assim encontrou jovens provenientes do Porto e Lisboa que apostam nestes territórios de baixa densidade. “Temos de acreditar no nosso país”, rematou.
