Correio da Beira Serra

MAAVIM acusa Estado de abandono 94 meses após incêndios de Outubro de 2017

Fogo em mato em Mangualde combatido por meios aéreos e outro na cidade deixa duas idosas desalojadas

Associação denuncia ausência de apoios, incumprimento de promessas e falta de responsabilização

O  Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) alertou, esta sexta-feira, para o estado de abandono em que continuam milhares de famílias e produtores afectados pelos incêndios de Outubro de 2017.

Em comunicado, a MAAVIM recorda que passaram 94 meses desde os fogos e que muitos problemas permanecem sem solução, apesar de milhões de euros terem sido disponibilizados através de fundos Feder e programas do Estado. “Os milhões desapareceram e os territórios continuam por limpar e as medidas por sair do papel”, afirmou Nuno Tavares Pereira, porta-voz da associação.

A organização critica ainda a actuação das autarquias, que descreve como insuficiente, e lamenta a falta de acessibilidades, de limpeza de terrenos e de infra-estruturas como bocas de incêndio, num cenário que define como “total abandono da população e do território”. A MAAVIM recorda que, sem a acção dos bombeiros e dos meios aéreos, a situação estaria hoje igual à de 2017.

O comunicado destaca a situação das famílias sem habitação, das habitações contratadas pela CCDR-C ainda não concluídas, dos agricultores e produtores florestais sem apoios específicos e das empresas que não receberam qualquer assistência, algumas das quais encerraram.

“Não somos portugueses de segunda, somos todos iguais e todos devemos ter o mesmo tratamento”, sublinha Nuno Tavares Pereira. A MAAVIM insiste que é necessário cumprir as promessas feitas às populações que ainda resistem nos territórios afectados e responsabilizar quem não cumpriu com os compromissos.

“Continuamos abandonados. Quem tinha, não tem, e quem não tinha, tem. Continuamos sem ter culpados. Nós não somos culpados, somos vítimas”, concluiu o porta-voz.

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