Correio da Beira Serra

MAAVIM acusa Governo de afastar vítimas dos incêndios de 2017 das verbas do PRR destinadas ao apoio à habitação

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas Incêndio de Midões (MAAVIM) acusa o Governo de incluir milhões de euros no PRR para apoio à habitação, mas esquecendo as vítimas dos incêndios de 2017 que continuam sem casa. O porta-voz daquele movimento, Nuno Tavares Pereira, acusa ainda a CCDR de dar como concluídas casas de famílias que, na verdade, continuam sem habitação.

“Não é por acaso que insistimos na questão das habitações. Falamos que estão inscritos milhões no PRR para apoio á habitação e existem dezenas de famílias que estão sem a sua habitação, sem terem culpa e o estado não lhes dá apoio. Existem ainda famílias sem casa e até o relatório da CCDR-C de 31 de Dezembro de 2021, já as dá como concluídas e as famílias continuam sem o seu tecto. E quantas habitações de segunda habitação, ou que foram consideradas como tal, que muitas das vezes eram a única habitação própria, estão construídas e foram apoiadas?”, questiona em comunicado.

As acusações ao Governo são extensivas à agricultura onde os apoios continuam esquecidos. “Todos os partidos na Assembleia da República aprovaram uma petição que recomendava o Governo a abrir as candidaturas para os lesados dos incêndios de 2017. Até hoje aguardamos a reabertura das mesmas, pois nenhuma medida foi tomada”, pode-se ler na missiva, a qual critica também a abertura à plantação de eucaliptos. “Se não houver organização do território, os próximos anos serão cada vez mais perigosos para quem vive junto às florestas, mesmo com o esforço das populações na limpeza”.

A MAAVIM continua ainda a questionar o Governo sobre o apoio à indústria das zonas afectadas pelos incêndios que sentem ainda mais dificuldades com a pandemia. “Quais são as medidas para combater este período? Onde está o plano de desenvolvimento prometido para as zonas afectadas pelos incêndios de 2017? Quando realmente se ‘compensa’ a região com infra-estruturas dignas (rodoviárias, telecomunicações, saúde, educação, etc.) que ficaram danificadas após Outubro de 2017?”, questiona, afirmando que o Governo de António Costa gastou mais no Siresp do que “em apoios às famílias afectadas em Outubro de 2017”. A concluir, Nuno Tavares Pereira diz que “a comissão de inquérito relativa aos incêndios de Outubro de 2017 que nunca apareceu no terreno e aguarda serenamente que tudo passe”. “Esperamos que após as eleições rapidamente a comissão criada para o efeito venha ao terreno e faça justiça, obrigando o estado a ajudar quem tudo perdeu”, conclui o documento assinado por Nuno Tavares Pereira.

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