O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) acusa o município de Oliveira do Hospital de ter ainda hoje muitos donativos destinados às vítimas dos incêndios a degradarem-se no seu estaleiro. Isto seis anos após os incêndios de Pedrogão e 68 meses depois das chamas de Outubro de 2017. “O estaleiro do Município de Oliveira do Hospital continua com materiais doados pelos portugueses para quem precisava e nunca dali saíram, estando escondidos pelas silvas e vegetação que cresce em seu redor…”, afirmam no habitual comunicado que mensalmente faz questão de recordar a tragédia de 2017.
Mas este parece não ser caso único. “Existem dezenas de locais na região com materiais e bens doados que nunca chegaram às populações e as autoridades continuam sem fazer nada. Esses bens fariam muita diferença se fossem entregues aos que tudo perderam”, continua a missiva, na qual o MAAVIM faz um apelo: “dêem-nos ferramentas para trabalhar o território e acabem com os inquéritos e as comissões que escrevem relatórios para colocar na gaveta”.
O documento assinado por Nuno Pereira acusa ainda as autoridades de não terem realizado durante o Inverno o trabalho de precaução que se exigia. “Como sempre o trabalho da prevenção não foi feito. O ‘matagal’ prolifera e a floresta cada vez está mais abandonada. A ‘descoesão’ territorial é uma realidade que ninguém consegue inverter, pois continuam a ser cometidos os mesmos erros”, escreve, sublinhando que “há dezenas de Empresas por apoiar, centenas de famílias sem as suas habitações e milhares de agricultores e produtores florestais sem serem ressarcidos de tudo ou de parte do que perderam”. “Enfim, muitas promessas e poucas acções”, conclui.
