Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões critica inacção das autarquias e falta de fiscalização do Estado, oito anos após a tragédia de 2017
As autarquias dos territórios afectados pelos incêndios de 2017 continuam, oito anos depois, com caminhos por limpar, terrenos sem manutenção e populações esquecidas. A denúncia é feita pelo Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), que acusa o Estado e os municípios de abandono e de má gestão dos fundos públicos destinados à reconstrução.
No dia em que se assinala o oitavo aniversário dos grandes incêndios de 15 de Outubro de 2017, o porta-voz da MAAVIM, Nuno Tavares Pereira, lamenta que “os milhões desapareceram e os territórios continuam por limpar e as medidas por sair do papel”. O dirigente questiona “para onde foram esses milhões gastos através do Feder ou de programas do Estado, que continuam sem dar paradeiro”, e lembra que “não são as vítimas que têm de fiscalizar, mas sim o Estado”.
A associação sublinha que “as autarquias, que são as autoridades no terreno, têm o território sem acessibilidades, sem limpezas e sem bocas de incêndio, num total abandono da população”, situação que se teria voltado a comprovar “nos últimos incêndios”. O movimento denuncia ainda que “existem donativos nos municípios por entregar desde 2017” e exige “responsáveis pelo trabalho que não é feito”.
“O nosso foco é nas centenas de famílias sem habitação e nas habitações que entraram em contratação pela CCDR-C e ainda não foram terminadas”, refere Nuno Tavares Pereira. “É também nos agricultores e produtores florestais que nunca tiveram apoio, seja por falta de abertura de candidaturas, seja por falta de elegibilidade, e nas empresas que nunca receberam nada, tendo algumas encerrado.”
O porta-voz da MAAVIM afirma que “os incêndios combatem-se a partir do Outono, com medidas e efectivos no terreno”, e conclui: “Não somos portugueses de segunda, somos todos iguais e devemos ter o mesmo tratamento. Só queremos que cumpram as promessas aos que ainda por cá resistem. Continuamos abandonados”.
