A Região Metropolitana de Coimbra concluiu, no dia 4 de Maio, a segunda e última acção de translocação de lampreia marinha prevista para este ano no rio Mondego. Mais 32 exemplares foram libertados no Louredo Natura Parque, em Vila Nova de Poiares, numa operação que procura ajudar a recuperar uma espécie cada vez menos presente na bacia do Mondego.
O processo começou em 2025 e conta com apoio de 100 mil euros do programa europeu DALIA, dedicado à reabilitação de ecossistemas aquáticos. Nas quatro acções realizadas até agora, duas no ano passado e duas este ano, foram translocadas 120 lampreias marinhas para zonas seleccionadas a montante.
A operação tem coordenação científica da Universidade de Évora e envolve a colaboração da empresa de pesca Irmãos Norinho, da GNR, do ICNF e dos municípios da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Coimbra, Vila Nova de Poiares e Penacova.
O vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Ricardo Cruz, acompanhou a acção e destacou a importância ambiental e pedagógica do projecto, que tem envolvido escolas e crianças. O também presidente da Câmara de Tábua sublinhou ainda a dimensão económica da lampreia, associada à gastronomia e ao turismo, considerando-a “um produto de excelência para a região”.
A redução da população de lampreia no Mondego tem sido associada a vários factores, entre eles as alterações climáticas, em particular os períodos de seca, a existência de obstáculos naturais e construídos, intervenções no rio, o aumento de predadores marítimos e a pesca furtiva.
A translocação permite levar para zonas mais favoráveis lampreias adultas capturadas na Figueira da Foz e em Montemor-o-Velho, procurando criar condições para a desova e para o desenvolvimento das larvas. A espécie nasce no rio, permanece em fase larvar durante cinco ou seis anos, segue depois para o mar e regressa adulta para se reproduzir. Cada fêmea pode produzir até 100 mil ovos.
Concluído o projecto Life4Lamprey, a CIM da Região de Coimbra pondera novas candidaturas para dar continuidade ao processo. O objectivo é manter o acompanhamento técnico e científico, identificar zonas críticas para protecção de habitats e criar orientações de gestão sustentável que possam ser aplicadas a outras bacias hidrográficas.
