Matraquilhos ou matrecos, são um jogo caseiro, muito popular, que penso que já todos jogaram e inclusive sujaram as mãos de óleo nos seus varões.
Simulam um jogo de futebol, onde dentro de uma caixa rectangular, estão uns bonecos, presos a uns varões, sendo o objectivo chutar a bola, normalmente de madeira, tentando fazer golo na baliza adversária.
Claro que os bonecos, simulando uma equipa de futebol, estão agarrados aos varões, 1 guarda-redes, 2 defesas, 5 no meio campo e mais 3 no ataque.
A título de curiosidade, o inventor deste jogo foi o galego Alejandro Finistere, em 1936, enquanto estava no hospital durante a guerra civil espanhola.
Existe uma federação que regulamenta e organiza campeonatos, podendo ser jogado por dois ou quatro jogadores.
Desconheço se há treinadores, massagistas, técnicos ou árbitros, mas qualquer um dos leitores pode pesquisar, pois com certeza irá encontrar muitas mais curiosidades.
Ao ver os jogos da selecção portuguesa no campeonato do mundo 2026, veio-me logo à ideia os matraquilhos, pois os jogadores quase não se moviam, permanecendo estáticos na maioria do tempo em que duravam os jogos.
Será que precisavam de óleo nas varetas para se movimentarem e darem animação aos jogos na procura da cereja do jogo, o golo?
Entretanto pensei para os meus botões, que a culpa era do “manobrador” dos varões, pois do lado contrário a animação era enorme e com estratégia.
Joguei matraquilhos poucas vezes e confesso que sou um zero à esquerda, mas não desgosto, de todo, de uma boa matraquilhada, sobretudo pelo convívio.
Voltando à comparação que fiz entre a selecção e os matrecos, não há duvida de que a nossa equipa estava demasiado “agarrada” aos varões e às tácticas implementadas pelo treinador, podendo verificar que passou todo o tempo a inventar ,chegando ao ponto de colocar 5 bonecos na defesa, 3 no meio campo e 1 ao ataque.
Quem sou eu para criticar o “dono” do jogo, apenas me limito a dar a minha opinião pelas evidencias que foram aplicadas, sendo uma delas, a colocação de um único boneco no ataque, com a agravante que já tinha as botas desgastadas, meio tortas para ter um bom desempenho e direcção, coisas próprias da antiguidade.
Ao ver os nossos matraquilhos a arrastarem-se pelo recinto de jogo, veio-me logo à ideia, a forma de rectângulo do nosso país, forma muito similar ao recinto de jogo.
Não há dúvida nenhuma, por aquilo que se passou, que há muitas parecenças com o país real, que até parece um jogo de matraquilhos, onde todos estamos enfiados num varão, comandados por estrategas sem qualidade nenhuma.
Estáticos e comandados por incompetentes, nunca será possível ganharmos, nem consciência nacional, nem amor à camisola e ter orgulho em pertencer a uma equipa, que durante séculos deu “cartas”nos jogos que disputou.
Falinhas mansas, mentiras bem elaboradas, colocaram-nos bem presos aos varais do jogo, que eles jogam para se entreterem, jogando connosco ao perde paga.
Enquanto permanecermos agarrados aos varões, nunca conseguiremos ganhar e jamais conseguiremos libertarmo-nos de um jogo viciado.
A euforia colectiva, que até permite, num país de mão estendida, eterno pedinte, subserviente, se possa dar ao luxo de um primeiro-ministro se deslocar de avião para ver jogos de matrecos, no outro lado do oceano, como se fosse ali ao virar da esquina ou então assistir aos jogos do campeonato da segunda circular.
Sinto-me enganado, ultrajado e roubado nas minhas parcas esmolas que os donos disto e daquilo, se dignam dar-me pelos trabalhos efectuados e dedicados à manutenção deste país, desgraçadamente, mais uma vítima nas mãos de parasitas, sem o mínimo de dignidade para viajarem à minha custa.
Gastaram 20 mil euros, uma parte deles, eram meus, para verem os jogos nos nossos gabinetes, onde nós nunca entraremos, apesar de sermos nós que os financiámos.
O descaramento vai ao ponto de terem cabeleireiros e manicuras para se “produzirem” para as fotos, tipo manequins, para irem ver os matraquilhos ao continente americano?
Os idosos, doentes, inválidos, combatentes e outros cidadãos de respeito, são vilipendiados desta ignóbil maneira, à boa maneira das ditaduras do terceiro mundo.
Esta elite que elegemos para se governarem à nossa custa, demonstra, por exclusão de partes, que somos uns verdadeiros bonecos de matraquilhos.
Somos um povo necessitado de ser estudado, avaliado e tratado deste Sindroma de Estocolmo que nos persegue, como uma sombra, desde 1910, data da entrada em cena da Republigamanço.
Ao olhar para a nossa história, sinto vergonha dos meu contemporâneos, aqueles que roubam e dos se deixam roubar.
Um dentista diria, que os dentes podres não valem a pena serem tratados.
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico