Objeto de notícia pelo atraso na sua conclusão, a ETAR de Meruge surge agora associada aos cheiros nauseabundos que tomam conta das imediações e que estão a deixar os populares à beira de um ataque de nervos.
Depois de um arranque experimental ocorrido no início do mês de julho, a ETAR de Meruge, localizada em Nogueirinha, não está a funcionar, encontrando-se as lamas depositadas no coletor a originar cheiros nauseabundos e difíceis de suportar pelo populares que residem nas imediações. Um ar praticamente irrespirável e que o correiodabeiraserra.com teve oportunidade de comprovar há instantes numa visita àquela infra estrturura, onde não há sinais de funcionamento e são apenas visíveis as lamas e vestígios de descargas de águas não tratadas na ribeira destinada a receber os efluentes tratados.
Uma situação que “não é de hoje, nem de ontem” e já dura há pelo menos três semanas estando a provocar enorme rebuliço entre os populares residentes nas proximidades que, em pleno verão, se vêem privados do simples gesto de abrir uma janela, ou de sequer apanhar o ar fresco da noite.
Vizinha da ETAR, Maria Rosa Costa já fala daquele equipamento como se de uma “perfumaria” se tratasse. “O mau cheiro é de manhã até à noite e dá-me vómitos”, contou a moradora, que se queixa do agravamento do seu estado de saúde desde que a situação começou. “E quem não tem complicações arranja-as com estes maus cheiros”, continuou Maria Rosa Costa que de caras com “um mau vizinho” apela à resolução urgente daquele atentado à saúde pública. “Desejo para mim e para os meus vizinhos que isto seja retirado daqui”, sustentou ainda a popular que, em ato de desespero, já admite “pegar numa marreta e rebentar com isto”. “Dou prazo de um mês”, avisou.
A par das queixas dos maus cheiros, surge também o descontentamento dos proprietários dos terrenos onde foi construída a ETAR que, a esta altura, dizem ainda não ter sido efetuada escritura pública. “É de lamentar que ainda não tenha sido encerrado o processo com os proprietários”, afirmou Teresa Prata denunciando também o “uso abusivo dos terrenos adjacentes”.
“Não é desligando as máquinas que se resolvem os problemas”
Confrontado com as queixas dos populares, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge – confessou ter sido tomado de surpresa com a situação nos últimos dias – associou os maus cheiros à interrupção do funcionamento da ETAR que, após um período experimental, deixou de assegurar o tratamento das águas residuais. Uma situação que, segundo Aníbal Correia, a Águas do Zêzere e Côa justificou com a entrada no coletor de efluentes de características industriais verificada no dia 3 de julho. “Pura e simplesmente pararam a ETAR e enviaram ofício à Câmara a informar”, contou há instantes o autarca que, a esta altura, garante já ter garantias de que não se voltarão a repetir as descargas industriais, pelo que espera que a breve trecho a AZC venha ao terreno e coloque a ETAR a funcionar.
“Sem batedores, nem o arejamento da ETAR a funcionar”, Aníbal Correia não estranha a intensidade dos maus cheiros. Uma situação que não agrada o autarca, que não vê com bons olhos que, perante um problema, a solução seja parar a ETAR. “Têm por obrigação tratar os efluentes”, entende Aníbal Correia, que está certo de que “não é desligando as máquinas que se resolvem os problemas. “Pelo contrário, penso que só os agravam”, concluiu.
O problema sinalizado na ETAR de Meruge não é caso único no concelho de Oliveira do Hospital. Em reunião da última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara aludiu a um conjunto de problemas espalhados por todo o concelho, chegando mesmo a equacionar recorrer à via judicial para pedir responsabilidades à AZC.
