
Ao Correio da Beira Serra, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge fez um balanço “muito positivo” de um certame que “se vem afirmando de ano para ano”. João Abreu não tem dúvidas de que “esta é, já, uma aposta ganha”, a comprovar pelo facto de as pessoas “reclamarem a realização da feira”. “Estamos em crer que o certame já tem vida própria”, referiu o autarca de Meruge, constatando que a expressão de marketing “quem vem a primeira vez volta sempre”, se tem vindo a comprovar na prática.
Apesar da dificuldade em quantificar os visitantes que acorreram à Lage Grande, João Abreu não hesitou em dar como certa a presença de “largos milhares” de forasteiros. E justificou a boa adesão com o facto de a Feira do Porco e do Enchido ser “já um cartaz turístico e promocional do porco, dos enchidos e das coisas boas, como a agricultura familiar, o artesanato e a doçaria, que há no mundo rural”.
“Porqueiros” são cada vez menos
“Na prática pode já não ser uma terra de porqueiros, mas continua a sê-la pela tradição e, não devemos ter vergonha das nossas tradições, antes, pelo contrário”, considerou o autarca João Abreu, notando que “esta tradição continua a ser a imagem de marca da freguesia”. “Somos muito do que somos, graças à capacidade de iniciativa e dinamismo que, os porqueiros trouxeram, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista social, à nossa terra, a Nogueirinha e à Póvoa das Quartas”, frisou.
Justificou, contudo, o declínio da actividade com o aparecimento das superfícies comerciais e com as exigências técnico-sanitárias impostas pela União Europeia. “Isso criou dificuldades, sobretudo, aos produtores mais velhos que, acabaram por abandonar a profissão”, explicou, lembrando, no entanto, que ainda se mantém em actividade “um número significativo de porqueiros, vendedores de carne e de enchidos”. Os vendedores de gado vivo marcam pontos, apenas, na tradição.
Seja como for, Abreu considera que Meruge vai sempre merecer o epíteto de “terra dos porqueiros” e alegra-se pelo facto de, “desde que se realiza a feira, terem surgido mais unidades artesanais e produção de enchidos”. “Também começam a perceber que esta é uma actividade económica rentável”, considerou.