Molelos, no concelho de Tondela, volta a reviver a Soenga no fim-de-semana de 16 e 17 de Maio, recuperando o método tradicional de cozedura da Louça Preta que distingue a freguesia. A iniciativa, promovida pelo município de Tondela e pela Junta de Freguesia de Molelos, decorre no Parque das Raposeiras e permite acompanhar, durante dois dias, um dos processos mais antigos da cerâmica local.
A oitava edição volta a colocar os oleiros de Molelos no centro da demonstração. O público poderá seguir as várias fases da cozedura, desde o primeiro aquecimento ao empilhamento das peças, passando pela construção do forno na terra, pela cozedura, pelo abafamento e, cerca de 24 horas depois, pela desenforna.
A Soenga faz-se numa cova pouco funda, aberta no solo. A louça é colocada nesse buraco, coberta parcialmente com lenha de pinheiro e tapada com torrões de terra, antes de ser ateado o fogo. Na fase final, o abafamento impede a entrada de oxigénio e dá às peças a cor negra que caracteriza o Barro Negro de Molelos.
Em Molelos continuam em actividade sete oleiros. São eles que executam a Soenga como a aprenderam com os seus familiares, mantendo um saber-fazer transmitido entre gerações e que o município tem procurado preservar nos últimos anos.
Além da demonstração da cozedura, o programa inclui momentos de animação ao longo dos dois dias. A iniciativa tem atraído público de várias zonas do país e reforça a ligação entre a Louça Preta, a freguesia de Molelos e o concelho de Tondela.
O reconhecimento deste património ganhou novo enquadramento no ano passado, quando o “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos” foi inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, por iniciativa do município de Tondela. A inscrição reconhece a importância desta actividade na economia local e na identidade do território.
Desde 2024, a Louça Preta é também um produto artesanal certificado, inscrito no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas. O selo veio reforçar a valorização de uma produção que continua dependente do conhecimento dos oleiros e da continuidade do trabalho feito em Molelos.
