Correio da Beira Serra

Movimento Estrela Viva acusa autoridades de não terem tomado medidas para evitar “desastre” em Manteigas

O Movimento Estrela Viva classificou hoje as enxurradas ocorridas na madrugada do dia 13 de Setembro em Sameiro, Manteigas, como “um desastre pré-anunciado” e acusou as entidades responsáveis de não terem feito nada para necessária estabilização de solos e protecção de linhas de água.

“Todos sabíamos que aconteceria. Sabíamo-lo dos incêndios de 2017, sabíamo-lo de incêndios florestais posteriores e anteriores a 2017. Todos, ainda durante ou imediatamente após os incêndios de Agosto, alertaram para esse risco, para a necessidade de acção imediata e solicitaram a implementação urgente no terreno de medidas que evitassem ou minimizassem a magnitude deste desastre pré-anunciado”, refere em comunicado o movimento sediado em Seia.

“Todos sabemos também que a janela temporal para intervir no sentido de prevenir estes desastres pós-incêndio é curta, tipicamente 1-3 meses entre o incêndio florestal e a chegada das primeiras chuvas. A implementação de medidas de estabilização de solos e protecção de linhas de água deve por isso ter início de imediato no pós-incêndio, assim que estejam reunidas as indispensáveis condições de segurança para tal. A 13 de Setembro, quase um mês após os incêndios da Serra da Estrela serem dados como extintos, não havia ainda luz verde para avançar com estas medidas urgentes. Não havia ainda qualquer acção pública de estabilização de solos em execução”, acusam, frisando vieram “as primeiras chuvas e o desastre pré-anunciado acontece”.

“Dois dias depois, a 15 de Setembro, são finalmente aprovadas em Conselho de Ministros as necessárias medidas de resposta imediata, como a estabilização de emergência, entre outras. Medidas de resposta imediata aprovadas em simultâneo com outras igualmente críticas para o território, mas não urgentes (como o programa de revitalização do PNSE), num pacote que totaliza 200 milhões de euros”, refere, explicando que um “plano de emergência pressupõe, por definição, a capacidade de actuar de imediato nos pontos mais críticos. No contexto da prevenção de enxurradas pós-incêndios, um mês é demasiado”.

“É necessário apostar de uma vez por todas na previsão de cenários cada vez mais frequentes se queremos ser consequentes na respectiva prevenção e mitigação em tempo útil, em vez de continuarmos sistematicamente a correr atrás do prejuízo”, continua o Movimento Estrela Viva que pede às “entidades competentes que tomem as medidas necessárias de apoio imediato às populações, a intervenção imediata no terreno para evitar novas ocorrências, bem como a criação de mecanismos que agilizem a capacidade de intervenção de estabilização de solos em futuros incêndios”.

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