Brasileira fugiu do Brasil no início de 2024 e aguarda extradição em prisão preventiva
Uma mulher de nacionalidade brasileira, suspeita de ter assassinado os cinco filhos através da administração prolongada e intencional de substâncias sedativas, foi detida na terça-feira em Coimbra e ficou em prisão preventiva, aguardando agora a extradição, informou a Polícia Judiciária (PJ) esta quarta-feira.
Em comunicado, a PJ adianta que Gisele Oliveira, de 40 anos, entrou em Portugal em Abril de 2024, onde se reuniu com o companheiro e com outro filho menor, fruto dessa relação. Tendo em conta as suspeitas que recaem sobre a mulher, “o menor foi sinalizado junto da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) para o devido acompanhamento”.
A detida era alvo de um mandado internacional de captura emitido pela Interpol, que indicava que os seus filhos morreram após anos de envenenamento nas mãos da mãe. De acordo com o comunicado da PJ, Gisele Oliveira é suspeita da prática dos crimes de homicídio e coacção, ocorridos entre 2008 e 2013. Terá recorrido à administração reiterada de sedativos que alegadamente causaram a morte a cinco dos seus filhos menores, sendo três dessas vítimas filhos em comum com o companheiro que reside actualmente em Portugal.
Segundo as autoridades, as situações ocorreram na casa onde a mulher residia e quase sempre durante a noite, “sem a presença de testemunhas”, momento em que administrava grandes doses de sedativos às crianças, provocando-lhes graves problemas de saúde ao longo dos anos. Duas das crianças morreram em 2010, duas em 2019 e uma em 2023.
A denúncia foi feita pela mãe da suspeita, avó das crianças, ao Ministério Público local. Ao tomar conhecimento da participação criminal, e antes de ser formalmente considerada suspeita, a mulher abandonou o Brasil no início de 2024. Foi emitido então o mandado internacional de captura.
Gisele Oliveira, que residia em Coimbra e não exercia qualquer profissão conhecida, foi detida e presente ao Tribunal da Relação de Coimbra, que decretou a prisão preventiva. A detida aguarda agora a extradição no Estabelecimento Prisional de Tires. No Brasil, enfrenta uma pena que pode chegar a 154 anos de prisão, segundo a imprensa brasileira.
