… Luís Mendes “azedou” os ânimos, chegando a discussão aos corredores dos Paços do concelho.
Foram várias as interrogações com que um popular de Felgueira Velha confrontou, no último sábado, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Dando conta da sua insatisfação perante o “ostracismo” a que as gentes daquela localidade, da freguesia de Seixo da Beira, têm estado sujeitas, Luís Mendes fez uso do período destinado ao público para – como fez questão de afirmar e repetir- “como porta voz do povo de Felgueira Velha” e “não como porta voz de qualquer partido ou organização política”, questionar o executivo de José Carlos Alexandrino acerca das melhorias previstas para a localidade.
Uma interpelação que – segundo explicou- surge na sequência de uma reunião que no dia 5 de setembro sentou à mesma mesa populares e os presidentes de junta de freguesia de Seixo da Beira e da Câmara Municipal e onde foi apresentado um abaixo assinado de “18 páginas” onde a população reivindicava “alguns melhoramentos”.
“Os habitantes não dormem, são humildes, mas honestos e cumpridores dos seus deveres e saberão responsabilizar quem os esquece , despreza e desrespeita”, disse ainda o popular que em tom agressivo e provocatório avisou que “nem os cães desrespeitam os malfeitores”.
“O que o senhor quis dizer é que é ressabiado porque não lhe renovaram o contrato…”
Perante uma Assembleia visivelmente incomodada com a linguagem ali utilizada, o presidente da Câmara Municipal chegou até a agradecer a Luís Mendes a interpelação que protagonizara. “O senhor desta vez teve coragem, porque da última vez colocou um cidadão a ler o documento que o senhor engenheiro escreveu”, disse José Carlos Alexandrino, considerando até que Luís Mendes fez “um papel extraordinário” ao afirmar e repetir que não se apresentava como porta voz de um partido ou organização política.
“É a afirmação pela negação”, sustentou José Carlos Alexandrino sem qualquer dificuldade em estabelecer a ligação entre o munícipe e o PSD de Oliveira do Hospital. “A linguagem das comezainas é a que os seus amigos do PSD usam no online”, referiu ainda José Carlos Alexandrino, repudiando o modo como Luís Mendes fez aquela intervenção, na certeza de que o povo de Felgueira Velha – alguns populares estiveram presentes – não se revê na linguagem que acabara de usar.
“O povo da Felgueira Velha é educado”, referiu, notando que o papel ali desempenhado por Luís Almeida não foi de defesa do seu povo. “O que o senhor quis dizer é que é ressabiado porque não lhe renovaram o contrato que tinha na Câmara Municipal”, acusou José Carlos Alexandrino, informando Luís Almeida de que o interlocutor do povo de Felgueira Velha é a Junta e Assembleia de Freguesia de Seixo da Beira.
“O senhor veio aqui em nome do povo sem ter mandato de ninguém e sem ter ganho eleições nenhumas como elemento do PSD. Candidate-se à Junta e terá palco suficiente para não fazer esta triste figura”, disse ainda o presidente de Câmara que, assegura estar sempre disponível para ouvir as preocupações do povo e as intercalar com as juntas de freguesia, porque não é seu costume “passar por cima dos eleitos pelo povo”.
Pese embora a “linguagem” usada pelo popular, José Carlos Alexandrino fez questão de dar resposta ao povo de Felgueira Velha, referindo que está em curso um estudo técnico para a colocação de lombas da localidade, estando também previsto um conjunto de melhoramentos. “Mas não é por si”, esclarece o autarca, assegurando que o que for feito é “por causa do povo da Felgueira Velha”.
Sem direito a resposta – “faz parte do regimento”, referiu o presidente da Assembleia Municipal – Luís Almeida e outros dois populares levaram a discussão aos corredores da Câmara Municipal, acusando o autarca que fez questão de cumprimentar o grupo de populares, de “mentiroso”.
Uma forma “azeda” de terminar uma reunião que iniciou com o presidente da Assembleia Municipal a informar não mais permitir que episódios como os ocorridos na reunião de setembro se voltassem a repetir. “Somos pelo diálogo, mas diálogo não quer dizer anarquia, ou num termo mais popular, bandalheira”, registou António Lopes, referindo-se em particular às manifestações do público no decorrer dos trabalhos e às intervenções do público, sem pedido de esclarecimento e com claro propósito político.
