Correio da Beira Serra

“Não há oposição na Câmara [de Tábua], mas uma permanente bajulação ao PS”

Entrevista a Fernanda Cunha, a líder do PSD, onde destaca a retirada da confiança politica a dois vereadores da coligação “Correr por Tabua”.
A presidente da Comissão Política da Secção do PSD de Tábua, Fernanda Cunha, justifica em entrevista publicada no jornal “Correio da Beira Serra”, em distribuição no concelho, a retirada da confiança politica aos dois vereadores eleitos pela coligação “Correr por Tábua”. Aborda ainda a questão, curiosamente hoje tratada em reunião de câmara, dos atrasos nas obras nas escolas devido a questões orçamentais, como tem frisado o executivo do PS, que atira as culpas para o governo.
“Não foi o facto de eu ter assumido a presidência da Comissão Política que os levou a tornarem-se independentes. O Luís Jesus Já tinha falado nesse seu propósito de ficar como independente à anterior líder da CP, Tânia Pereira”, começa por referir Fernanda Cunha, a propósito das dissidências dos dois vereadores das coligação “Correr por Tábua”, que hoje mesmo, na reunião do executivo, procuraram justificar essa sua tomada de posição.
– Ele argumenta que um dos motivos que levou à sua saída foi o afastamento de Tânia Pereira da liderança do PSD de Tábua…
– Fui informada pela Tânia que ele pretendia ficar como independente, ainda antes das eleições, mesmo a anterior presidente, integrando a mesa da assembleia do PSD. No mês de março (dia 31) teve lugar a tomada de posse da nova Comissão Política Distrital de Coimbra do PSD, órgão que eu integro na qualidade de membro da Mesa da Assembleia Distrital. Não fazia sentido não haver uma Comissão política em Tábua do PSD e, por isso, decidi avançar. A partir dessa altura, vincaram mais o seu propósito de passarem a independentes.
– E o que levou o PSD de Tábua, já com a Fernanda como presidente, a retirar-lhes a confiança politica?
– Aguardámos que nos dessem uma explicação sobre os motivos que os levaram a tornar-se independentes, mas nunca nos disseram nada. Vi algumas reuniões de Câmara e, o que tenho assistido, é que ambos os independentes, o Luís e a Professora Alexandra, estão sempre de acordo com as decisões do executivo PS, mesmo elas sendo prejudiciais aos tabuenses. Não há uma oposição, mas sim, uma reiterada bajulação às medidas propostas pelo Presidente da edilidade. Se não há oposição, se eles se tinham servido do partido para serem eleitos, achei por bem retirar-lhes a confiança politica, conforme ditam os regulamentos internos do partido. Para além disso, os que foram eleitos nunca informaram a concelhia sobre as propostas em votação…
– Está a falar a nível da Assembleia Muncipal?
– Dos eleitos à Câmara Muncipal, embora os eleitos à Assembleia Muncipal devam discutir os assuntos com a Comissão Política.
– Isso é uma crítica implícita à presidente da bancada da Assembleia Muncipal do PSD, Tânia Pereira?
– Não é uma crítica, mas uma chamada de atenção para todos os elementos da coligação. Convoquei para o dia 27 uma reunião para que os membros da assembleia possam estar presentes. Espero que na reunião do próximo dia 27 que eu vou convocar, ela possa estar presente.. Isto apesar de saber que a bancada do PSD está a desempenhar muito bem o seu papel na AM, o que não acontece na Câmara Municipal.
– Luís Jesus comentou que a retirada da confiança política foi como “dar um colete salva vidas a quem já se encontra em terra firme”. Eles estão já em terra firme?
– Não estão nem nunca vão estar. O nosso cabeça de lista obteve a pior votação de sempre do PSD no concelho de Tábua. Embora ainda só agora tenha passado um ano após as eleições, o resultado revela que se “afogaram” antes de chegar a terra firma. Não sei que argumento possa explicar essa péssima votação.
– À máquina concelhia do PS, talvez…
-Sim, está bem montada. Mas os agora independentes conseguiram alguma coisa por que se serviram do PSD, precisaram do dinheiro para fazer a campanha, o que nunca iriam conseguir se fossem candidatos como independentes. Aliás, temos estado a pagar as dívidas da campanha que pertenciam ao Luís Jesus, porque ultrapassaram os orçamentos. Ao mesmo tempo, temos agregado novos militantes, efetuamos reuniões com novas pessoas. Muitas continuam indisponíveis, já acontecia aquando da anterior comissão política, mas nós não desistimos.
– Este caso afetou a imagem do PSD/Tábua?
– Afetou. Os tabuenses já não tinham acreditado no candidato proposto pelo PSD e, depois, acabaram por confirmar os seus receios quando eles passaram a independentes. Aquilo foi uma farsa, descredibilizou o partido. Eu pessoalmente nunca acreditei no cabeça de lista, disse sempre que era um péssimo candidato.
– O certo é que também não havia alternativas, eram escassas…
– Havia outras pessoas que poderiam ter sido contatadas. Na altura, eu sugeri algumas, mas que nunca foram contatadas. Não tenho nada contra o Luís Jesus, só que eu não achava que fosse a pessoa certa, como se veio a comprovar. Eu disse-lhe isso na cara e ele nunca mais me olhou a direito. Tínhamos de ter reunido com a velha guarda da AD, ou do PSD, e pedir-lhes ajuda. Têm conhecimentos e experiência…
– Quer criar uma espécie Conselho de Notáveis…
– Exatamente, é isso que eu quero fazer. Pretendo organizar um jantar com alguns desses elementos, para ouvir sugestões, filiar mais pessoas, estabelecer planos estratégicos para o futuro. E também lhe quero dizer que há pessoas que estavam no Chega e que se têm juntado a nós, contrariando aquilo que se diz que esse partido, a nível local, está cada vez mais implantado.
– Numa futura eleição autárquica, põe de lado uma coligação com o Chega?
– Não está no meu horizonte isso. E eu espero não fazer parte dessas eleições nessa altura. O meu cargo é para dois anos e, ao fim desse período, vou refletir, para que novos membros possam assumir e integrar a nova Comissão Política. A nível politico, talvez não vá ficar aqui por Tábua. Até lá, vamos trabalhar e quero ver se o partido começa por ter dinâmica própria para levar o PSD de Tábua a bom porto.
– Como tabuense, o que critica na gestão camarária?
– Um ponto relevante respeita à construção de casas para as pessoas mais carenciadas através de medidas do governo do PSD e que, segundo eu sei, em Tábua, continuam desabitadas. Essas habitações para arrendamentos a custos acessíveis, já deviam estar ocupadas, porque temos muita gente carenciada no concelho, a precisar de habitação (uma das atuais crises) e elas estão desabitadas, por que motivos? Estão à espera de alguns amigos, de algumas famílias numerosas das quais possam obter mais tarde o seu voto? Temos o problema das obras nas escolas, as quais não tinham terminado dentro dos prazos programados pela autarquia, não sendo a culpa do governo, mas sim da Câmara de Tábua. Este é mais um caso de má gestão da edilidade. Que continua a centralizar tudo na sede do concelho, onde há limpeza, estradas onde se pode transitar com segurança, ao passo que em algumas freguesias, isso não acontece. Isso passa-se em Meda de Mouros, Pinheiro de Coja, Midões, na estrada que liga a Lajeosa ao Espadanal, Bugalhas, parece que estamos em Marrocos….
Por outro lado, finalmente vai avançar o IC 6, que já está no terreno, conforme a própria população nos tem transmitido, com a marcação do traçado, uma promessa do governo do PSD que, em dois anos, executou o que o governo do PS não fez em 16 anos.
José Leite
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