Correio da Beira Serra

“Não pode continuar [interior] esquecido e com o PSD não vai ficar esquecido”

Começou a trabalhar muito cedo, foi presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo durante 12 anos e agora surge no segundo lugar na lista de deputados do PSD por Coimbra. Fátima Ramos, economista, e gestora hoteleira, realizou uma visita à feira de Oliveira do Hospital e diz que sentiu por parte da população uma “vontade de mudança” e uma desilusão com “a política e os políticos”. “Em parte, pelas constantes promessas que receberam em tempos de eleições, nomeadamente por José Carlos Alexandrino, que nunca foram concretizadas. A ex-autarca acredita que Rui Rio pode alterar o actual panorama e é “importante o seu rigor” numa altura em que o país vai receber muito dinheiro do PRR. “Se não houver alguém rigoroso na liderança, o país esta pode ser uma oportunidade perdida”, conta.

 CBS – Qual a conclusão que retiram destas visitas junto da população?

Fátima Ramos – Uma primeira conclusão é que as pessoas sentem-se desiludidas com a política e com os políticos. E essa desilusão resulta muito do facto de serem sistematicamente confrontados com promessas que não são concretizadas. E citaram-nos alguns exemplos. No que toca às obras publicas, as pessoas desta região há muito tempo que ouvem, nomeadamente o antigo presidente de Câmara e o Governo Socialista prometer a continuidade do IC6 sempre que há eleições e continua no mesmo local. Queixam-se também bastante com aquilo que se passa na saúde e com a carga exorbitante de impostos. Sente-se uma vontade de mudança.

O PS será o único responsável por este estado de coisas?

Vejamos quem governou. Nos últimos 26 anos tivemos 19 de governação do PS. Com gestão do PSD tivemos apenas os quatro anos de Pedro Passos Coelho, que teve de resolver os problemas de um país que estava em pré-bancarrota e foi obrigado a cumprir um programa imposto por Bruxelas. Tudo porque o PS deixou o país numa situação lastimável. Antes, tivemos outro Governo de três anos de Durão Barroso e Santana Lopes, em que país também vinha de um pântano como disse António Guterres. Todo o resto foi governação do PS e o resultado é um país que se atrasou face a outros países…

“…numa altura em que vão chegar os milhões do PRR, o programa do 20-30, tenho receio que, se não vai para lá alguém que seja rigoroso, sério e com capacidade de trabalho, esta seja uma oportunidade perdida.”

Está a falar dos países de Leste que ingressaram na União Europeia?

Sim. E é um caso que sinceramente me choca. Aqueles países que eram comunistas que viviam muito pior do que nós, com muitas dificuldades, muitas dos seus habitantes imigravam para Portugal e hoje ultrapassaram-nos. Têm melhor nível de vida, produzem mais e as pessoas vivem melhor. Portugal, infelizmente, está cada vez mais na cauda da Europa.

Poderá mudar com estas eleições?

Com Rui Rio, acredito piamente, que a situação será diferente. É um gestor e tem mostrado que é uma pessoa muito rigorosa. Geriu a CM do Porto com muito rigor. Conhece o mundo real e as dificuldades em que vivem as pessoas com menor rendimento, mas que têm capacidade e querem trabalhar. Outro aspecto: temos recebido muito dinheiro da Europa ao longo destes anos. Algum desses fundos foram bem utilizados. Fui presidente de Câmara durante 12 anos e não nego que do ponto de vista autárquico muito se fez a vários níveis. Mas em termos nacionais quando se fala em muito dinheiro e não existe rigor acontece o que se viu no mandato de José Sócrates. O dinheiro em vez de ser distribuído pela economia, de ajudar os pequenos empresários e ser bem aplicado, muitas vezes vai parar a mãos de poucos em vez de servir para muitos. E numa altura em que vão chegar os milhões do PRR, o programa do 20-30, tenho receio que, se não vai para lá alguém que seja rigoroso, sério e com capacidade de trabalho, esta seja mais uma oportunidade perdida. Rui Rio e a equipa que escolher podem fazer toda a diferença.

“Fernando Tavares Pereira …foi convidado por Rui Rio para participar na lista do PSD e levar para o Parlamento a mensagem deste povo do interior…”.

Esses fundos também podem ajudar os territórios de baixa densidade?

Nomeadamente os territórios do interior. Não podem continuar esquecidos e com o PSD não vão ficar esquecidos. A situação é tão grave que hoje por aqui, depois de todos estes anos, ainda ouvimos os lamentos das vítimas dos incêndios e da falta de apoios. É algo que não queremos que volte a acontecer. Para isso, estes territórios precisam de desenvolvimento económico que traz mais pessoas e se houver mais pessoas temos mais gente a cuidar do território.

Quais as vantagens da lista do PSD por Coimbra em relação à do PS?

Vou falar da nossa. É uma lista de trabalho. Já que estamos aqui em Oliveira do Hospital permita-me destacar a professora Sandra Fidalgo que toda a gente aqui conhece, com grande conhecimento na área da educação. Mas também Fernando Tavares Pereira que é uma pessoa ímpar. Começou de pequeno a trabalhar, lutou muito, e conhece estes territórios como ninguém. Conhece o problema dos pequenos e médios empresários, como conhece os problemas dos colaboradores das empresas ou dos pequenos comerciantes. Foi convidado por Rui Rio para participar na lista do PSD para levar para o Parlamento a mensagem deste povo do interior. Também sou do interior. Fui presidente da CM de Miranda do Corvo durante 12 anos. Os meus pais eram comerciantes e agricultores. Comecei muito criança a vender copos de vinho e mercearia na loja, quer eu, quer o meu irmão. Estamos a falar de gente que conhece o que é a vida nestes territórios de baixa densidade. Por isso falei destes três. Mas temos a Mónica Quintela, uma jurista de prestígio, que bem precisamos para ter uma legislação capaz, que puna aqueles que em vez de trabalhar pretendem roubar. Enfim, é uma equipa muito ecléctica, com gente com experiência de vida. Encaramos a política como uma missão. Queremos lutar para que Portugal tenha um futuro melhor e que se este interior seja visto outros olhos.

Quem destaca no PS?

Falando de protagonistas, António Costa é uma figura central na situação a que Portugal chegou. Esteve praticamente em todos os governos do PS. Não é alguém que surgiu agora na política. Esteve com o Sócrates e com Guterres. Enfim, em vários governos. Se o nosso país está como está, muito se deve a António Costa. Depois, a cabeça de lista por Coimbra que é ainda a ministra da Saúde, também deixa um legado pouco recomendável. Tem prometido muito em termos de saúde, mas o que é um facto é que, pela primeira vez, em muitos anos, em 2021 tivemos um aumento da mortalidade, sem contar com as vítimas da COVID.

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A gestão desta crise foi desastrosa. Quando apareceu a pandemia deveria ter conversado com os parceiros e com os privados para ver como poderiam ajudar. Não o fez e deixou arrastar o problema. Só quando não tinha mais para onde se virar é que foi negociar à pressa. Ora, sabemos que quando negociamos à pressa pagamos mais caro. E já agora deixe-me dar-lhe o exemplo que se passa na minha terra e que exemplifica o desnorte de Marta Temido. Em Miranda do Corvo temos um hospital de uma IPSS sem fins lucrativos que está completamente equipado, mas está fechado e que poderia ter ajudado. A senhora ministra nunca se dignou a ir lá. Rui Rio já lá foi. Com isto, as pessoas têm de ir fazer exames de diagnóstico a Coimbra, com todos os custos que isso implica, quando poderiam realizá-los ali, no seu concelho.

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