Correio da Beira Serra

Não será altura de criar o Museu Tipográfico (Artes Gráficas) em Arganil? Autor: José Travassos de Vasconcelos*

Sendo Arganil com dois jornais, primeiro A COMARCA DE ARGANIL, que ainda se mantém, agora com 123 anos de vida, e o JORNAL DE ARGANIL, que acabou os seus dias com cerca de 90 anos, foram considerados como uma «Carta de Família», pois eram elos de leitura e aproximação de  todos os que se encontravam ausentes, primeiro para Lisboa e depois para o resto de Portugal, bem como para as antigas colónias portuguesas – Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Macau – Brasil, Venezuela, Europa, Estados Unidos da América, Canadá, África do Sul, etc., não esquecendo também todos os concelhos que constituem a Serra do Açor ou Beira Serra, como é conhecida esta região. Não falando nos correspondentes que existiam em quase todas as aldeias, que com as respectivas notícias os ausentes sabiam o que se passava nas suas terras.

Era assim a composição manual.

Com as novas tecnologias, agrupando a falta de notícias das aldeias – que era o que mais interessava para os ausentes beirões – com o decorrer dos tempos e com o despovoamento das aldeias, essa interligação afrouxou gradualmente, quando havia sensibilidade de nas notícias mais relevantes dedicadas aos seus assinantes, como acontecia, particularizando os aniversários e festas das Comissões e Liga de Melhoramentos, agremiações que, com mais incidência desde a década de 50, foram criadas nos concelhos da Beira-Serra, cujas sedes eram em Lisboa, quer na Casa da Comarca de Arganil (a casa mãe do Regionalismo) – Rua da Fé, em Lisboa, hoje  com mais de 90 anos de existência, sendo mais tarde criadas a Casa do Concelho de Góis, na Rua de Santa Marta, a Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, na Rua das Escolas Gerais e Casa dos Tabuenses.

Ora, sendo assim, e como as novas tecnologias, onde as notícias aparecem por toda a parte, seria bom que Arganil fosse enriquecida com um Museu Tipográfico, (ou Artes Gráficas, como queiram), no sentido das comunidades, sobretudo as mais jovens, tenham conhecimento de como se fazia um jornal, desde a composição de letra-a-letra, que teve como criador Gutenberg, depois mecanicamente (linha-a-linha) e actualmente através das novas tecnologias. Havia ainda a regreta que se se destinava a medir as linhas para medir cada anúncio, a fim de analisar o custo de cada linha.

O espaço ideal para a instalação do citado museu.

Todo esse material tipográfico, constituído por caixas, com pequenos caixotins, apoiadas nos chamados cavaletes, cada uma com seu tamanho, consoante as letras que eram mais necessárias do vocabulário, uns mais pequenos, outros maiores. Além do mais, a tipografia servia também para fazer facturas para casas comerciais e empresas diversas e prospectos de festas, para além dos jornais serem impressos nas suas próprias oficinas. Acrescente-se ainda que as fotos eram transformadas em zinco, na Gráfica de Coimbra e tinham como base madeira ou lingotes de alumínio.

Só é pena que esta riqueza museológica esteja abandonada e esquecida, bem como uma máquina de compor e de impressão e guilhotina para cortar papel, pertencentes ao primeiro jornal, se encontrem abandonados e ao desmazelo no barracão de arrecadações da Santa Casa da Misericórdia  de Arganil, proprietária de A COMARCA, no Paço Grande (Largo da Feira)

Porém, tudo isto, inserido num Museu, era mais um pretexto para a classe escolar poder ter conhecimento sobre como a história dos jornais antigos eram editados.

Além do mais esta iniciativa enriquecia sobremaneira Arganil, tanto mais que só existe um Museu Tipográfico na cidade do Porto.

Já que em Arganil há um museu de diversas actividades profissionais antigas, porque não agora pensar-se na criação do Museu de Artes Gráficas?

No sentido de que as entidades locais tenham esta sugestão em consideração, deixamos a nota de que o local apropriado seria o espaço paredes-meias com a Fonte do Asno, no Largo Ribeiro de Campos, conhecido por «Cabaz das Compras», cuja fachada é uma obra de arte, com várias esculturas esculpidas.

Autor: José Travassos de Vasconcelos. *Antigo tipógrafo, desde 1958, até 2006, quando iniciou as suas funções, de compositor manual, bem como de paginador, revisor e depois como jornalista e redactor principal (com apenas a 4.ª classe) do JORNAL DE ARGANIL e n’A COMARCA DE ARGANIL exerceu a sua actividade cerca de 13 anos, concluída no passado mês de Janeiro/2023.

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