O nome do Armando Lopes (administrador da Caixa Agrícola de Oliveira do Hospital) como um dos dois futuros directores executivos da estrutura que resultaria da fusão da Caixa da Beira Centro com a Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital terá sido um dos pontos que levou os sócios da entidade sediada em Arganil a chumbarem o projecto de união, apurou o CBS junto de fontes próximas ao processo. Há quem defenda que esta “imposição”, aliada ao rumor, não confirmado pelo CBS, que circulou em Arganil, segundo o qual presidente da Assembleia Geral (AG) da Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, teria colocado duas pessoas a telefonar aos associados para comparecerem na reunião e votarem favoravelmente a fusão, foram os grandes responsáveis pela derrocada do projecto. Em Arganil o sufrágio ditou 55 votos contra e 17 a favor, de nada valendo a votação esmagadora por unanimidade de 152 sócios favoráveis à união por parte de Oliveira do Hospital.
“Foi um resultado que surpreendeu mesmo os órgãos sociais da Caixa da Beira Centro. Esperava-se alguma resistência contra o nome de Armando Lopes que não deixou grandes amigos no tempo em que por aqui passou quando esta entidade foi intervencionada, mas nunca uma recusa do projecto por estes números”, sublinhou uma das fontes. “O rumor de que José Carlos Alexandrino estaria a realizar aquelas diligências terá sido decisivo. Os funcionários pensaram: se agora faz isto, depois realiza outra AG e leva tudo para Oliveira do Hospital”, explicou a mesma fonte, adiantando que já existia alguma resistência por parte dos elementos da Lousã, Góis e Poiares quanto à deslocalização da sede da Caixa da Beira Centro para Oliveira do Hospital (a sede administrativa ficaria localizada em Arganil).
A nova estrutura iria contar com dois directores executivos (uma atitude que não terá agradado desde logo à estrutura sediada em Arganil, que preferia apenas um). Os dois homens designados para ocupar esse cargo seriam Armando Lopes (por Oliveira do Hospital) e Fernando Sousa (pela Caixa Beira Centro). José Carlos Alexandrino ficaria como presidente da Assembleia Geral e António Cardoso como presidente do conselho fiscal. O actual presidente da Caixa da Beira Centro, Francisco Batista, passaria a presidente do Conselho de Administração. “Ao aprovarem o processo de fusão, os sócios aprovavam igualmente esta lista e os estatutos”, explica uma outra fonte, considerando a forma de voto dos sócios por braço no ar seguida por José Carlos Alexandrino em Oliveira do Hospital esteve longe de ser a mais aconselhável para permitir a cada um exprimir livremente a sua vontade. “Em Arganil o presidente da Assembleia Geral, António Cardoso optou pelo voto secreto. Não estou a ver como é que um funcionário, e eles têm um peso grande nestes processos, se iria opor de braço no ar a uma lista que iria passar a comandar os destinos da estrutura. Talvez isso também ajude a justificar o resultado unânime de 152 votos favoráveis em Oliveira do Hospital”, sublinha.
Um elemento dos órgãos sociais da Caixa Beira Centro negou ainda ao CBS que aquela direcção alguma vez tenha feito campanha contra a fusão. “Por princípio esta união era vista como vantajosa para toda a estrutura, até porque Oliveira do Hospital tem um forte tecido industrial, o que seria bom para a instituição. Os nossos órgãos sociais limitaram-se, em várias reuniões, a apresentar os aspectos positivos e negativos da fusão, sem fazer qualquer campanha por qualquer dos lados”, explicou, refutando as afirmações de José Carlos Alexandrino à Rádio Boa Nova, nas quais o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital se mostra convencido que o chumbo se ficou a dever a “sobretudo a algumas pessoas com interesses pessoais que fizeram campanha contra” a fusão.
José Carlos Alexandrino, de resto, lembrou na mesma rádio que o acordo estava “abençoado pelo Conselho de Administração das Caixas de Crédito Agrícola a nível nacional” e que foi negociado durante dois anos. Mostrou-se ainda satisfeito com a resposta dada pelos sócios de Oliveira do Hospital. “Um total de 152 pessoas votou favoravelmente e por aclamação a fusão. Isso demonstra que perceberam o projecto e a importância que teria para todo o território. Tive um grande orgulho na minha Caixa”, disse o autarca.
