Correio da Beira Serra

Novo Aero…porto  não !   Novo Aero…lisboa, isso sim ! Autor: João Dinis

Ó Aero…lisboa glorioso – ó miragem que engana,

Ó condição do que levanta e aterra.

Ó negócio manhoso que serve a ANA

Co´o dinheiro brutal que lá se enterra ! 

Pois que nos perdoe o Vate imortal pelo atrevimento de nos inspirarmos nele.  Cometemos este pecado literário também porque pretendem atribuir o nome de Camões ao novo Aeroporto em Alcochete.  Mea culpa.

E comecemos por aí mesmo. O actual (des)Governo, ao baptizar o novo Aeroporto – para Alcochete – com o nome de Luís (ou deverá ser Luiz ? ) de Camões que quer afinal ?  Enfim, nós não estamos dentro da cabeça do “padrinho” ou da “madrinha” do futuro equipamento mas aquilo que nos parece é que atirando com Luís Vaz de Camões para a frente do registo do Aeroporto, também querem inibir outras hipóteses que Camões é Camões, claro, e estamos nos 500 Anos do seu nascimento…

Pessoalmente, eu venero Camões pela sua Obra genial onde aprendi a extrair prazer, arrojo, respeito e emoções várias.  Mas, por exemplo, também nutro uma profunda admiração, por vezes enlevo estilo levitação intelectual, pela Obra de Fernando Pessoa e seus “Amigos”.

Ou seja, indo nós por aí, o novo Aeroporto também poderia ser “Aeroporto Fernando Pessoa” que até é considerado o nosso poeta mais internacional.                E quiçá se poderia chamar de D. Afonso Henriques – o Fundador da Nacionalidade – mas agora também não reclamo a mudança à nascença do nome em causa.

Porém, não consigo deixar de me perguntar por que razão não se mantém o nome actual do Aeroporto, “General Humberto Delgado”, que é suposto encerrar quando abrir o de Alcochete ?  Ora, é legítimo que aqui se diga que excluindo à partida o nome actual de General Humberto Delgado e contrapondo-lhe Luís de Camões, o que encapotadamente se pretende é cortar a ligação, via Aeroporto, do “General Sem Medo” à  luta antifascista e aos crimes do Salazarismo que estes “democratas serôdios” de agora afinal tendem para esconder, ainda por cima nos “50 Anos do 25 de Abril” para o qual Humberto Delgado deu um grande e antecipado contributo.

Serve de algum consolo saber que quer Camões quer Humberto Delgado vão permanecer em presença das e dos Portugueses muito, mas mesmo muito mais acima que as artimanhas destes artistas todos que agora ocupam algumas cadeiras do poder e que se armam em “espertinhos”. Uns “manholas”…

Alcochete, sim !   Mas fim aos privilégios “infectados” da ANA, Aeroportos de Portugal, e da sua dona uma tal “VINCI”.

Lisboa precisa de um novo Aeroporto, assunto que, aliás, já se discute há décadas.

Portanto, está mais do que na hora de resolver o problema.  A localização agora decidida será a mais conveniente desde logo porque assenta na chamada “Carreira (ou Campo) de Tiro de Alcochete” onde os aviões militares exercitam os disparos em voo.  Assim, é pública, do Estado, a grande parte da área a ocupar com o novo Aeroporto civil pelo que não será necessário adquirir esses terrenos.

Porém, impera aqui um “pecado original”, um verdadeiro “pecado mortal”, consubstanciado nos privilégios espúrios da “ANA Aeroportos de Portugal”, a empresa concessionária da exploração dos nossos aeroportos que pertence a um grande grupo económico “made in” França, uma tal “VINCI, Airports”.

É que a efectiva privatização desta ANA ocorreu favorecendo escandalosamente a VINCI e prejudicando o interesse nacional em muitos milhões de euros e em capacidade de intervenção estratégica. Foi uma malfadada “privatização” patrocinada pelo anterior (des) Governo PSD – CDS/PP a qual os posteriores (des)Governos do PS mantiveram e até protegeram e protegem.  Privatização nociva que perdura e se prepara para também sugar a construção e eventual exploração do novo Aeroporto…

É mesmo para desconfiar da disposição entretanto  manifestada pela ANA / VINCI quanto à sua “colaboração” para com o novo aeroporto em Alcochete quando algum tempo atrás tinha afirmado não concordar com este local… E alguns dos sintomas são de alarmar até os incautos pois aparece a prioridade em alargar o actual aeroporto Humberto Delgado em vez de acelerar a construção faseada do novo Aeroporto Camões.

A  grande questão de ora em diante é assegurar a defesa do interesse nacional ao invés de beneficiar a ANA / VINCI com ainda mais privilégios e de todos os tipos…  Exige-se transparência e lisura democráticas !  Não, a ANA / VINCI não pode aprisionar ou parasitar as decisões institucionais/nacionais quando ao novo Aeroporto !    Já basta, já basta !!

Interesse nacional também implica regionalizar o investimento público !

Vai ser brutal – algumas dezenas de milhares de milhões de euros – o investimento público e até privado a envolver no complexo de infraestruturas em torno ou decorrentes do Aeroporto em Alcochete ou Samora Correia.   Mas o “resto” do País não pode ser apenas mera “paisagem”…  Tem que haver sabedoria e capacidade para atribuir bons investimentos às outras Regiões do País !

Sim, entre outros casos, precisamos e temos direito a verbas para continuar o       IC 6 e o IP 3 e para iniciar outras Obras estruturantes !   Tem que ser !

Maio de 2024

João Dinis, Jano

 

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