O fim do período de transição do sistema Volta, marcado para 10 de Agosto, levou o empresário Nuno Tavares Pereira, residente em Oliveira do Hospital, a apelar ao Governo para prolongar o prazo de adaptação, alertando para os prejuízos que a medida poderá causar à hotelaria, restauração e comércio tradicional que ainda têm em stock bebidas em embalagens sem o símbolo obrigatório do sistema.
A partir de segunda-feira, todas as embalagens de bebidas de utilização única colocadas no mercado português passam a ter de integrar obrigatoriamente o sistema Volta. Com o fim do período de transição iniciado a 10 de Abril, deixa de ser permitida a venda de bebidas em embalagens que não façam parte deste regime de depósito e reembolso.
Na prática, as garrafas de plástico e as latas até três litros passam a exibir o símbolo Volta e implicam o pagamento de um depósito de 10 cêntimos, valor que é devolvido ao consumidor quando a embalagem é entregue num ponto de recolha autorizado.
Durante os últimos quatro meses coexistiram no mercado embalagens com e sem o símbolo Volta, permitindo aos produtores escoar os stocks existentes. Com o termo desse período de adaptação, apenas poderão ser comercializadas bebidas em embalagens abrangidas pelo sistema.
Segundo Nuno Tavares Pereira, empresário com actividade nos sectores da hotelaria e das máquinas de venda automática, muitos estabelecimentos abasteceram-se antes do Verão, numa altura em que os próprios fornecedores ainda comercializavam bebidas em embalagens sem o símbolo Volta, situação que era permitida durante o período de transição.
“É urgente que o Governo prolongue este período de transição. Estamos em plena época alta e muitos operadores compraram estas bebidas antes do Verão, quando os fornecedores ainda não tinham embalagens com o sistema Volta”, afirmou ao Correio da Beira Serra.
O empresário considera que, sem esse prolongamento, muitos estabelecimentos poderão sofrer prejuízos por ficarem impedidos de comercializar produtos adquiridos legalmente antes da entrada em vigor das novas regras.
Nuno Tavares Pereira alerta ainda para as dificuldades que o sistema poderá criar ao comércio tradicional, sobretudo nas zonas do interior. Segundo refere, a maioria das máquinas de devolução de embalagens encontra-se instalada nas grandes superfícies comerciais e nas sedes de concelho, deixando grande parte do território sem acesso fácil a estes equipamentos.
“Em muitos casos, as pessoas têm de percorrer 10 ou 20 quilómetros para encontrar uma máquina. Isso prejudica o pequeno comércio e as zonas rurais”, afirma.
Na sua opinião, esta realidade poderá levar muitos consumidores a deslocarem-se às grandes superfícies para devolver as embalagens e recuperar o depósito de 10 cêntimos, acabando por realizar aí as suas compras, em prejuízo dos pequenos supermercados e do comércio de proximidade, obrigando a deslocações que entram em contraciclo com o objectivo da União Europeia que passa pela redução da pegada carbónica.
O empresário considera igualmente que a rede de recolha ainda apresenta limitações ao nível da capacidade e do funcionamento dos equipamentos, defendendo que o sistema deve ser melhorado antes da aplicação integral das novas regras.
O sistema Volta permite aos consumidores recuperar o depósito pago por cada embalagem através da sua devolução num ponto de recolha autorizado. O reembolso pode ser feito em dinheiro, vale de desconto, crédito em cartão de fidelização ou solução digital, ou convertido em donativo a instituições de solidariedade.
