Tirar o Cartão de Cidadão transformou-se num verdadeiro pesadelo para António Marques, um homem de 50 anos que sofre de uma doença degenerativa rara que o impede de se separar da sua cadeira eléctrica. A inexistência de uma rampa de acesso destinado a quem tem dificuldades de locomoção, como determina a lei, no Registo Civil de Oliveira do Hospital, obrigou os próprios funcionários dos serviços a prestarem a ajuda para colocar António Marques e a sua cadeira, que só por si pesa mais de 200 quilos, no interior do edifício. A última segunda-feira não será esquecida tão cedo por este homem.
“Não compreendo como o elevador da biblioteca pode estar inactivo e a autarquia responder dessa forma”
“Até a Câmara Municipal que fica logo ali e, embora não tenha responsabilidades sobre aquele edifício, tem a obrigação de zelar pelo bem-estar de todos os munícipes e poderia facilmente construir uma rampa”, continua. “O problema é que esta gente, felizmente, se calhar não tem familiares nestas condições, mas não se podem esquecer que de um momento para o outro podem passar a necessitar”, diz, recordando com alguma tristeza a forma como a autarquia respondeu recentemente ao CBS sobre o elevador que se encontra há muito tempo avariado na biblioteca municipal e que impede a circulação de deficientes entre os diversos pisos. A resposta, na altura, recorde-se, foi que “a autarquia nada tinha a dizer sobre o assunto”. E, entretanto, o elevador continua fora de serviço, como ontem verificou o
“É a tal falta de sensibilização destas pessoas para com quem tem dificuldades. A tecnologia vem-nos ajudando a superar as nossas complicações. Os senhores que mandam, no entanto, são incapazes de suprimir pequenas barreiras”, continua António Marques que aos 10 anos de idade começou a sentir os efeitos da doença e pouco tempo depois estava confinado a uma cadeira de rodas e a quem deram uma esperança de vida de 30 anos. “Já estou cá há 20 a crédito”, sorri. Mais tarde, quando tinha 30 anos, teve a sua cadeira eléctrica e a capacidade de se movimentar por quase todo o lado. “Com estas tecnologias poderia ir a todos os lados, mas existem as barreiras físicas. Para ir a um restaurante tenho de telefonar antes, mas para ir aqui ao Posto Médico de Avô não posso, como não posso ir à Junta de Freguesia. São edifícios antigos, entendo, mas somos pessoas e também temos direito a que as leis sejam cumpridas”, remata.
“Câmara Municipal renovada por Carlos Portugal tem todas as condições e Mário Alves teve sempre atenção a esse aspecto”
O edifício dos Paços do Concelho de Oliveira do Hospital, pelo contrário, encontra-se perfeitamente adaptado às necessidades dos deficientes. “Quando foi remodelado, o Presidente da altura, Carlos Portugal, e o responsável pelo pelouro das obras, Mário Alves, fizeram questão de incluir duas rampas de acesso ao edifício e de
A responsável técnica do Lar Nossa Senhora da Assunção em Avô reconhece que ainda existem muitos entraves a quem tem dificuldades de locomoção. “Mas este caso foi o que nos chamou mais a atenção pelas dificuldades que encontrámos, já que se trata de um serviço em que a presença do próprio é absolutamente necessária e existem muitas dificuldades de acesso”, conta Anabela Veloso, esperando que estes edifícios depois de várias alertas, como este, venham a sofrer as imprescindíveis e obrigatórias adaptações.
