Pedro Dias comprou uma quinta, Quinta do Regato, na freguesia da Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital, mas não encontra forma de poder instalar um portão à entrada do caminho que alegadamente se encontra dentro da sua propriedade. O tribunal já recusou o direito de passagem a um dos vizinhos. Mas quando se preparava para colocar um portal, Pedro Dias viu o processo esbarrar na recusa de licenciamento por parte da autarquia. Pedro Dias diz que numa das deslocações ao local, o autarca José Carlos Alexandrino terá justificado a decisão por considerar aquele caminho público, dado que cerca de seis metros foram asfaltados pela autarquia no mandato de um anterior presidente. “Falta de vontade”, acredita Pedro Dias.
“Disse-me que aquilo é caminho público. Mas que culpa tenho eu se colocaram lá o alcatrão, num terreno que segundo todos os documentos atestam que é meu, aquele espaço faz parte da minha propriedade. Caso contrário, que me provem o contrário. Mas também lhe disse que se o caminho era público então que o alcatroem até à minha casa. A verdade é que quando comprei o terreno, também paguei o que está alcatroado”, frisa Pedro Dias, alegando que a falta de resposta positiva por parte da autarquia para a colocação do portão pode ter a ver com a amizade entre o autarca e o proprietário de um lagar vizinho, por António Manuel Dias, com quem Pedro Dias assume ter alguns diferendos. “O que não entendo é porque a mim me é negado esse direito, quando o outro munícipe teve o direito de fechar caminhos públicos com portões. Terá a ver com algumas patuscadas que se calhar fazem nesse local? Terá a ver com o poder de uns e a modéstia de outros? Será por causa da minha recusa de participar em listas políticas?”, interroga-se Pedro Dias, dando a título de exemplo da sua razão, além das provas que possui, a sua vitória em tribunal numa acção interposta pelo vizinho e proprietário do lagar que viu recusada a possibilidade de utilizar aquele caminho. A solução poderia passar por uma nova acção judicial, mas Pedro Dias diz não ter meios para suportar mais disputas na justiça. “Quem é pobre tem sempre estes problemas…, mas temos direito a que nos seja reconhecida razão quando a temos”, lamenta.
Uma resposta que não convence Pedro Dias que diz esperar por uma explicação do autarca José Carlos Alexandrino “que permite a alguns vedar caminhos públicos e a outros nem sequer deixa colocar um portão no seu próprio terreno”. “Aqui estão em causa os meus direitos e só por não ter os mesmos meios não estou disposto a abdicar deles”, remata.
O CBS falou ainda com fontes que estiveram ligadas ao alcatroamento daqueles poucos metros de caminho e explicaram que aquele trabalho serviu para que não viessem detritos para a estrada, desconhecendo que tenha existido qualquer cedência por parte do anterior proprietário para espaço público. O actual presidente da Junta Vasco Ribeiro tem procurado por todos os meios resolver este problema, mas não sabe como o irá conseguir.”É um caso complicado. Nunca consegui perceber bem esta situação”, refere, adiantando que ainda não perdeu a esperança de juntar todos a uma mesa e resolverem a situação. “Isso é que o que eu queria e continuo a acreditar que será possível”, concluiu.
