Correio da Beira Serra

O Jogo da Bola, versão actual, está a correr bem…mas calma…. Autor: João Dinis, Jano

Enfim, o Glorioso Benfica já está fora da “Champions”…mas fomos eliminados pelo Real Madrid o que nos ameniza a perda…

Entretanto, as outras equipas de emblema nacional continuam em prova(s) e até com brilharetes nas vitórias obtidas.

Comecemos pelo Sporting.

 Tinha perdido por uns “assustadores” 3 – 0 na Noruega com o local Bodo / Glimt (não tem nome de equipa de futebol…). E perdeu sem apelo nem agravo, diga-se. Afinal, esta equipa lá do Norte da Europa, chegara onde chegara na “Champions” com bastante mérito, a praticar um futebol “construído” por atletas competentes, eles próprios também “construídos” por anos de treino e competição.

Após os 3 – 0 para a equipa do Sporting, caíram-lhe em cima o Carmo e a Trindade. Mesmo os fervorosos adeptos descreram no futuro da eliminatória. Pelos vistos, atletas, equipa técnica e dirigentes mantiveram acesa a chama da esperança. Como ouvi dizer ao treinador do Sporting – um técnico que, nas suas declarações públicas, mantém um registo narrativo de incidência prática e pouco “filosófica” – segundo ele, os “artistas” do Bodo, no jogo dos 3 – 0 na Noruega, conheceram o pior do Sporting mas não conheceram o melhor que o Sporting pode fazer…Pelo seu lado, concluiu, o Sporting conheceu o melhor do Bodo para se poder prevenir… Eis um binómio ideológico bem esgalhado embora, no caso, até revele elevados índices “filosóficos”…  Mas interessante.

Em Alvalade a 17 de Março – 2026, o Sporting realizou um dos melhores jogos da bola – futebol – a que já assistimos nos últimos anos. Com uma tremenda dinâmica de jogo – com intensidade competitiva acima dos 100% – com jogadores carregados de confiança – com processos a fluírem no comprimento e na largura do campo sempre com os olhos e as intenções na baliza do adversário. Com uma “brutalidade” de uns 35 remates à baliza do Bodo – numa média “avassaladora” de um remate a cada 3 minutos, e foram 120 minutos. No final, vitória por 5 – 0.  Eliminatória virada a seu favor e vencida espectacularmente !  Categórica exibição, sim senhor !  Todavia, acode-me uma questão à cabeça, afinal como é que uma equipa como o Bodo cujos jogadores, em casa, correram e movimentaram-se como “leões” enquanto que os legítimos leões jogaram como gatinhos? E como é que, poucos dias depois, em Alvalade, foi exactamente ao contrário!  Que aconteceu entretanto ?

A esse nível inesquecível, “só” a noite de 18 de Março – 1964, portanto há 62 anos atrás, também no Estádio de Alvalade da época.  Num Jogo em que o Sporting aplicou idêntica goleada ao Manchester United – 5 – 0 – e assim virou uma eliminatória na qual tinha levado 4 – 1 em Manchester, na 1ª mão da então “Taça das Taças”.

Diga-se ainda que para além das semelhanças em resultado – nos 5 – 0 – também as houve na exibição pois nessa noite de 18 de Março de 1964, o Sporting esteve em grande, imparável. E para além dos 62 anos que separam um jogo do outro e do tipo de competição, nessa época o Manchester United tinha na equipa alguns dos melhores jogadores do mundo –  Bobby Charton – George Best – Denis Law. Que lhes terá acontecido para assim tão mal terem vivido esse jogo ?

Outra “simetria” a salientar é que o Sporting de 1964 tinha o hábil Osvaldo Silva e hoje tem o habilidoso Trincão. Tinha o capitão Fernando Mendes e hoje tem o capitão Ajhulmand.  E que também tem o Pedro Gonçalves, “Pote”, quanto a mim um jogador mais discreto que Trincão mas finíssimo a perceber e a executar o jogo.  E tem o “raçudo” Maxi Araújo que o Sporting corre o risco de vir a vender por umas dezenas de milhões de euros a somar a mais ainda a receber pelo avançado Suárez. A SAD sportinguista já esfrega as mãos…

E se em 1964, o Sporting foi o vencedor dessa edição da Taça das Taças –  com o “eterno” golo de Morais, de canto directo, na final com um tal MTK da Hungria –   fazemos votos que, agora, o Sporting possa vir a ganhar a “Champions” !

Sporting de Braga.

 E o Sporting de Braga também fez história com os 4 – 0 aplicados (18 de Março) em Braga, ao Ferencváros, uma das boas equipas da Hungria.     A fazer reverter a derrota lá por 2 – 0.   Siga Braga, nesta “Liga Europa”, que isso está ao alcance da bastante boa equipa Bracarense !  Vamos repetir a final de 2011 em que jogaram Braga e FC Porto !

E que o “destreina” da Selecção Nacional convoque o capitão Ricardo Horta para o Mundial deste Verão.  Acho que já convocou…

FC Porto.

Também despachou (19 Março) o Estugarda (Stuttgart), uma das melhores equipas alemãs, e por 4-1 nos dois jogos.  Giro foi na primeira parte, no Dragão, em que o Estugarda jogou e o Porto resistiu.  Em que o Estugarda rematou e Diogo Costa defendeu. Joga nesse nível no Mundial, é o que se te pede, Diogo, e serás “o melhor do mundo!”, pelo menos para nós!…

Ora, quanto a mim o mais notável é que este FC Porto joga jogo atrás de jogo fazendo praticamente alternar duas equipas distintas. E ganha com uma e com a outra !  O treinador montou a estrutura da equipa de trás para a frente e aguenta-a.  Sofrem poucos golos e marcam os suficientes para ganhar mesmo tendo o anterior avançado de centro, Samu, lesionado há uma série de jogos. Como é que conseguem ? Que “dragão” os inspira?

Enfim, o jogo da bola vai bem.  Mas calma que falta o (ainda) mais difícil.

Dizer a finalizar que “isto” do Jogo da Bola europeu não é a mesma coisa sem o Benfica a competir lá…   É a vida!

Março de 2026

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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