“Os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que for preciso”
Tucídides (400-460 AC) – Diálogo Meliano (uma passagem do livro da Guerra do Peloponeso)
Apesar de nunca ter tido filiação partidária, sempre me vi mais à esquerda, o que bem se refletiu por ter sido um empreendedor com mais propensão para distribuir do que para acumular.
Vem isto a propósito de assistir, sem surpresa, mas desolado, a um incremento de ideias chamadas de “direita”, em governos autoritários, em líderes sociopatas, narcisistas ou com pendor fascista, tanto nas Américas como na Europa.
Este incremento de ideias de direita é o resultado da forma como os defensores da chamada “esquerda” têm vindo a abordar temas como a imigração, a identidade, os direitos transgéneros, o ambiente, o desenvolvimento tecnológico, o colonialismo, a cultura europeia e outros assuntos ditos fraturantes.
Estes defensores de esquerda são, na minha opinião, os responsáveis pelo radicalismo e confrontos culturais e de identidade em que vivemos e de que outros se aproveitaram.
As lideranças partidárias, na sua “ganância” de conquistarem votos e manterem o Poder, deixaram que ativistas e muitos oportunistas tratassem estes delicados temas de um modo mais adequado a elites instruídas do que às classes trabalhadoras e sofredoras, que os observam como se de assuntos de luxo se tratasse, afastando os mais capazes de exercerem a missão de bem governar, defendendo os interesses maiores das populações.
Assim se chegou a uma retórica extremista quando se abordam estes temas delicados ou se confrontam os adversários como se estes fossem gente desumana, doidos ou extremistas.
Como se pode criar um compromisso de convivência na sociedade civil ou política quando deixamos de ver os outros, dos quais discordamos, como pessoas, mas sim como seres de outra espécie?
Claro que entendo que tudo isto é fruto de um momento de grandes Mudanças civilizacionais, que abrangem e agitam as pessoas. Algumas destas pessoas sentem que algo lhes está a ser retirado do mundo onde nasceram e cresceram. Não se tratam só de questões económicas, mas sim de culturas e identidades em que é difícil alcançar um entendimento.
As últimas eleições europeias deveriam ter sido um momento de reflexão e de busca de respostas para um melhor futuro da Europa, mas as misérias humanas e económicas causadas pela invasão da Ucrânia não o permitiram.
Quem aproveitou? Putins, Orbans e seus seguidores, “velhos e saudosos nacionalistas”.
Iremos, pois, continuar a assistir e a viver tempos difíceis e de grandes Mudanças, mas estamos confiantes que os Valores da democracia, da liberdade, dos direitos humanos serão a bandeira vencedora do futuro próximo, pois ter a liberdade de escolha é a maior liberdade que nos é dada.
Agosto 2024
Autor: Carlos Brito
*Fundador da empresa Davion
