Correio da Beira Serra

O pai tirano. Autor: Fernando Roldão

O Pai Tirano é um dos maiores e mais representativos sucessos da época dourada do cinema português, tendo a sua estreia acontecido a 19 de Setembro de 1941, no cinema Eden em Lisboa.

A sua grande divulgação surgiu no dia 15 de Agosto de 1961 na RTP, no programa “Sétima Arte”.

Obra de ficção, fruto de uma brilhante geração de actores e onde eram retratadas as famílias, os costumes da época, de uma forma airosa e satírica, ainda hoje uma enorme referencia do cinema  português.

Passemos da ficção à realidade, para pudermos constatar bem, a diferença entre ambas ou até algumas semelhanças.

Depois desta introdução, quero falar dos verdadeiros tiranos, que serão tudo, menos pais, restando apenas o adjectivo qualificativo.

Em pleno século XXI, encontramos pessoas que são verdadeiros pais tiranos, que defendem este tipo de pessoas que os apoiam através de um discurso ideológico, em que, na maior parte das suas ideias, são balofas, ocas e irresponsáveis.

Qual a classificação adjectiva que deveremos dar aos pais que autorizam, apoiam ou obrigam, que filhas suas, de 12 ou menos anos casem com homens adultos?

Será um pai tirano ou algo mais? Ajude-me a encontrar adjectivos qualificativos para este tipo de progenitores.

Espantado caro leitor? Se está, tem andado muito distraído sobre políticas contra natura, desenvolvidas por gente insana e moralmente distorcidas.

Pais que ordenam estes casamentos, obrigam em simultâneo, a que as suas mulheres andem todas tapadas e sem direitos?

Pais tiranos de perfil desequilibrado, indecoroso e doentio?

A nossa civilização, milenar é de cariz cristão, é contrária a todas estas atitudes, apesar de conterem, na sua consciência, outros pecados também altamente aberrantes, contrários às leis da igualdade e humanidade.

Um líder de um país pode ser considerado, um pai da nação, logo com obrigatoriedade de proteger os seus filhos e irmãos.

Como poderemos apelidar um pai que trai os seus filhos, que lhes tira a dignidade, lhes dificulta o sustento, reencaminhando o que a eles pertence para sustentar, alimentar e proteger os filhos das amantes, dos filhos dos amigos, relegando para o anonimato os seus descendentes de sangue?

Infelizmente isto está a acontecer, num país europeu e do século XXI.

Lanço aqui um desafio ao leitor a dizer o nome do país e do seu respectivo Pai.

Há uma lista de espera, enorme, de crianças, legítimas, que dependem do sustento familiar para os seus tratamentos. Quantos acabam por falecer devido à longa espera a que são sujeitos por incúria, desleixo ou compadrio?

Pregar moral e defender valores altruístas não é suficiente para traçar o perfil de quem promove estes valores, quantas vezes em discursos enviesados, tentando com os mesmos, defender o indefensável.

Portugal está atravessando uma crise, que já não é nova e que se apresenta com nova roupagem, que têm a ver com descobrimentos, invasões e lutas.

Somos um país universalista, com provas dadas nesta matéria ao longo dos muitos séculos de história e que muitos historiadores tratam mais ou menos em sintonia, com algumas diferenças ideológicas, o que acaba por ser normal.

No entanto há factos históricos, que não se compadecem com estas análises “clubistas”, pois a realidade é só uma e indestrutível.

Anda no ar uma aragem de mal-estar sobre os actos dos actuais políticos, desde o presidente até ao mais baixo funcionário da hierarquia.

Há portugueses mais puros do que outros e basta olharmos para a suas ascendência para o provar, pois quem nasceu em território nacional, tem por si só. mais legitimidade de poder, dizer sou mais português do que quem vem adquirir a nacionalidade através de actos administrativos ou políticos.

No entanto deverão ser considerados portugueses com os mesmos deveres e direitos, desde que cumpram as regras e leis do país acolhedor, fazendo jus ao velho ditado, em Roma sê romano.

Portugal é berço de emigrantes, mas que na sua esmagadora maioria souberam integrar-se, respeitar o país acolhedor, aprendendo os hábitos de vivencia e harmonia em vigor nesses mesmos países.

Cabe a cada um de nós, dentro das regras civilizacionais, ensinar aos que querem viver em Portugal, os nossos costumes, língua, tradições, gastronomia e leis, para que possamos viver num clima mais ou menos harmonioso.

Contudo, antes de nós cumprirmos o nosso dever, como cidadãos, temos que alertar ao nosso Pai, para que proceda com competência e portugalidade, na admissão dos que pretendem entrar em Portugal.

Nove séculos de história geraram valores que não são para atirar para o lixo, são para serem acarinhados, tratados como relíquias e não traídos.

Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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