Há uma grande diferença na forma como as entidades oficiais, em particular o Governo, cuidaram das vítimas dos incêndios que assolaram Portugal este ano por comparação com o que aconteceu no reinado de António Costa nos fogos de Outubro de 2017. Este ano, em minha opinião, houve o cuidado das entidades serem céleres a ressarcir as pessoas dos seus prejuízos. Agilizaram-se e simplificaram-se procedimentos. Existiu, que eu tenha conhecimento, uma preocupação de rigor e transparência em todos os departamentos públicos. Em tempo útil fez-se o levantamento dos prejuízos. Merece uma palavra de louvor quem conduziu agora a reacção à catástrofe.
Tudo isto contrasta, em absoluto, com o tratamento dado aos lesados dos incêndios de Outubro de 2017. O Governo da altura, e as entidades com responsabilidades, deixaram desamparados milhares de lesados. Alguns ficaram sem casa para viver, porque a mesma foi devorada pelas chamas. E, curiosamente, outros que não tinham habitação passaram a ter. Isto com a conivência das autoridades que tiveram conhecimento e nada fizeram. Ainda hoje há casos que se arrastam nos tribunais. Muitas destas vítimas, infelizmente, faleceram sem verem concretizadas as promessas que lhes foram feitas.
Em termos de justiça, houve mesmo processos em que a maior parte das testemunhas não foram ouvidas, acabando por apenas ser tido em conta o testemunho dos autarcas, ficando a verdade por esclarecer. Ou seja, nem as autoridades conseguiram estar bem em todo este processo que era defender dignamente as vítimas e clarificar quem beneficiou ilicitamente dos apoios. Em minha opinião, estes casos ainda hoje podem ser facilmente esclarecidos, desde que sejam ouvidas algumas das testemunhas que para isso foram indicadas. Algumas delas, infelizmente, já não poderão contar a sua versão porque já não se encontram entre nós.
Já a atitude do actual Governo permitiu que as pessoas com verbas recebidas pudessem mitigar os prejuízos que tiveram, retomando rapidamente o trabalho florestal, agrícola e dos serviços capazes de enfrentarem o futuro. Ao serem ressarcidos dos prejuízos, as pessoas sentiram-se mais acompanhadas e confiantes. Voltaram rapidamente a ser produtivas. Só espero que este Governo possa finalmente dar a estes territórios, esquecidos e abandonados, uma nova dinâmica de desenvolvimento e um futuro atractivo para as novas gerações.
Em Outubro de 2017, pelo contrário, foi o caos. Ninguém sabe onde foi gasta a maior parte das dezenas de milhões de euros provenientes União Europeia e de outras entidades que tinham como destino revitalizar a floresta, a agricultura, a habitação e os serviços desta região. A negligência favoreceu a desertificação de um território que se transformou num barril de pólvora dado o combustível acumulado. E este ano, como sabemos, já houve mortes, provavelmente, devido a esse abandono que o Governo de António Costa e entidades oficiais promoveram naquela altura.
Foi tudo demasiado mau no tratamento dado à catástrofe de Outubro de 2017. Quem não se vergou foi perseguido. Foi o caso, dos membros da direcção do Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), do qual faço parte, que nunca deixou de estar ao lado de quem precisava. E, aqui, tenho de agradecer o apoio de todas aquelas pessoas de Norte a Sul do país e do estrangeiro que ajudaram a salvar vidas. Em particular as populações de Esposende e Torres Vedras que fizeram um trabalho de apoio porta a porta aos lesados, através da MAAVIM.
Esperemos que este Governo aproveite as verbas do PRR para erradicar as debilidades destes territórios, como a ausência de acessibilidades, justiça, saúde, educação, serviços, comércio e indústria. Nós também somos portugueses e temos as mesmas necessidades das restantes regiões do país.
Autor: Fernando Tavares Pereira