Correio da Beira Serra

O triunfo das grandes mentiras nas eleições de 30 de Janeiro. Autor: João Dinis

Na verdade, a Democracia plasmada na Constituição da República Portuguesa consagra um regime e um sistema que, sendo os melhores que arranjámos até agora, ainda assim não são perfeitos.  E há mesmo quem os tente empurrar para fora de órbita…

Nas situações decorrentes destes processos eleitorais atribulados, ele há partidos que têm votos e eleitos a mais…e há partidos que têm votos e eleitos a menos.  Portanto, muitas vezes, há grandes injustiças nestas coisas de eleições.  Não por culpa da Democracia, mas mais pelas entorses antidemocráticas que lhe aplicam os “figuraços” e os interesses económicos e sociais do sistema dominante.  E assim voltou a acontecer agora a 30 de Janeiro!

Não há “azia” da minha parte que até já tenho estômago e fígado mais do que curtidos nestas (des)andanças.  Há, sim, preocupação e mesmo indignação.

Assumo que os resultados eleitorais foram maus para a CDU. Também por isso, deixam a desejar em termos de um futuro melhor para os Portugueses e as Portuguesas.  É facto que, nos últimos 6 anos, durante as governações do PS e de Costa (desde 2015), tiveram a intervenção do PCP e da CDU todos os aspectos mais positivos que se conseguiram como a reposição de rendimentos e de direitos que nos haviam sido roubados pelos anteriores (des)governos da direita. Ou seja, os resultados da CDU não espelham, e antes pelo contrário, essa intervenção firme e combativa ao serviço do Povo e do País!

Falsa tese do Presidente da República e do Primeiro-Ministro em torno da “estabilidade”

foi a primeira grande mentira política a abrir caminho para estes resultados eleitorais.

Essa primeira grande mentira política – e “mãe” de todas as outras mentiras – foi a da teoria da “estabilidade governativa “alegadamente posta em causa pelo “chumbo” da proposta do Governo para Orçamento do Estado (OE) para 2022.  Foi nela que o Presidente da República “justificou” a dissolução da Assembleia da República e que, logo ainda antes do facto do “chumbo” ter sido votado, ele surgiu a chantagear, desde início, com a ameaça da dissolução do Parlamento caso houvesse esse “chumbo” do OE para 2022, como se veio a verificar embora, mesmo assim, pudesse ter evitado estas Eleições.

É óbvio que o Primeiro Ministro e “líder” do PS aproveitou a “boleia” do argumento falacioso do Presidente da República, para repetir e repetir e repetir a sua parte da tese da “estabilidade governativa para o País avançar”, ele que também colaborou premeditadamente na “instabilidade” com a demissão política,  prática, do seu Governo e a dissolução da Assembleia da República, processo em que, aliás, tudo fez para “conseguir” o chumbo da sua proposta para OE 2022 !   Um refinado “manholas” político, característica política que, em minha opinião, é uma das suas mais marcantes e especializadas…

Portanto, Presidente da República e Primeiro Ministro, pelo menos objectivamente, “coligaram-se” no processo que culminou nestas Eleições ainda que por motivos distintos.  Aí, empolaram e torceram a tese da “estabilidade governativa” transformando-a, repito, na primeira grande mentira política a dominar estas Eleições.

Em última análise, a “estabilidade governativa” podendo ser um objectivo que não deixe de também ser um meio para se governar melhor, para se culminar na resolução dos problemas do Povo e do País.  Precisamos e interessa-nos a “estabilidade governativa”, sim senhor, mas para controlar a carestia de vida, para se ter melhores serviços públicos desde logo o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para se ter melhores salários, melhores pensões e reformas.  Para uma política de defesa da produção nacional e da soberania do nosso País.

Se os Governos não governarem para termos isso, então eu cá prefiro a “instabilidade governativa” e manifesto a minha firme disposição em tudo fazer para dar combate às políticas de direita que conduziram o nosso País à má situação em que nos encontramos.

          As sondagens “de encomenda” para provocar a chamada bipolarização e o voto “útil”.                            

Outra grande mentira prestimosamente difundida pela grande comunicação social !…

Em anterior artigo de opinião publicado no CBS, já eu tinha alertado para o papel manipulador de consciências e de intenções de voto que as sondagens do sistema consubstanciam.  Não que sejamos “bruxos” mas porque já cá andamos há muitos anos nestas lides e conseguimos ir mantendo a cabeça à tona destes “truques”, com repercussões antidemocráticas, que o sistema dominante do grande capital engendra, como são a larga maioria das sondagens de alegadas intenções de voto.

Nestas Eleições de 30 de Janeiro, então, a fraude – a grande mentira das sondagens – foi escandalosa a pontos de não deixar dúvidas mesmo aos mais distraídos caso queiram pensar no caso.  Dois ou três dias antes do acto eleitoral, ainda algumas dessas sondagens, amplamente divulgadas pela grande comunicação social, davam um alegado “empate técnico”, um “tudo pode acontecer ainda”, entre a votação no PS e a votação no PSD?!   E depois foi o que viu!  Afinal a diferença entre PS e PSD deu quase 14% a favor do PS !  Então, como interpretar um “erro” tão grosseiro, sim, de quase 14% ?!…

Claro que, como não somos ingénuos, afirmamos que um tal “erro” foi construído de encomenda para provocar, e intensamente, a tal “bipolarização” e a corrida ao voto “útil” – resultado que tanto serviu o PS! – também com as “dramatizações” quase patéticas que alguns candidatos logo ensaiaram, a começar por Costa.   A propósito, vi um depoimento de Costa (em postura de Primeiro Ministro…) a uma televisão muito vista, no Domingo das Eleições, em que esteve uns 10 minutos a falar, com aquele seu ar de “manholas” sorridente, a fazer propaganda eleitoral embora indirecta.  Assim, com televisões destas, assim até eu…

Enfim, reafirma-se, o maior triunfo destas eleições é o das grandes mentiras políticas!

E agora?  Agora, da parte do PCP e da CDU a luta vai continuar!  Temos a certeza que daqui a algum tempo, mais cedo que tarde, muitos daqueles e daquelas que votaram noutros partidos a 30 de Janeiro, estarão nessas lutas ao lado dos votantes da CDU!

Quanto aos novos Deputados eleitos para o Parlamento, os votos sinceros de saúde.  E desde logo que tudo façam para se controlar melhor esta pandemia que não nos larga.  E que sejam capazes de assumir os compromissos que fizeram antes de ser eleitos.

Já agora, a esse respeito, eu quero declarar que não passei “procuração” a ninguém para ser meu “porta-voz” e seja lá onde for.  Era o que mais faltava!  Na minha vida, serei eu o meu próprio “porta-voz”, embora sempre procure integrar-me dentro das necessidades e aspirações deste meu Povo!   Sempre!

Por um futuro melhor !

A luta continua !

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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