A vaga de calor que está a afectar Portugal deverá prolongar-se durante oito a dez dias, com temperaturas máximas entre os 35 e os 44 graus e noites tropicais, alertou esta terça-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O episódio de calor extremo deverá abranger praticamente todo o país e aumenta o risco de incêndio, sobretudo nas regiões do Interior.
Segundo o IPMA, a principal característica desta onda de calor é a sua duração. Além das temperaturas máximas muito elevadas, as mínimas deverão manter-se acima dos 20 graus durante a noite, podendo atingir entre 25 e 28 graus em algumas regiões, dificultando o arrefecimento do organismo.
O calor coincide com uma situação de perigo elevado e muito elevado de incêndio em grande parte do Interior Centro. Esta terça-feira, quase duas dezenas de concelhos do país encontravam-se em perigo máximo, enquanto a maioria dos distritos do interior apresentava concelhos em risco muito elevado.
Perante a previsão de persistência das temperaturas extremas, o Governo convocou para quarta-feira uma conferência de imprensa para apresentar as medidas previstas no plano de resposta às ondas de calor, com a participação da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, da Direcção-Geral da Saúde, do INEM e de outras entidades.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu que a vaga de calor poderá ter impacto na mortalidade, à semelhança do que tem acontecido noutros países europeus.
Também a Organização Mundial da Saúde apelou aos países para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas. Segundo aquele organismo, a onda de calor que afecta grande parte da Europa já provocou mais de 1300 mortes desde 21 de Junho.
A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores alertou igualmente para o aumento do risco de afogamento nos próximos dias, apelando à adopção de comportamentos seguros nas praias e zonas balneares.
O IPMA explica que esta situação resulta da conjugação de um anticiclone localizado a noroeste da Península Ibérica com uma depressão no Norte de África, que está a transportar para Portugal continental uma massa de ar muito quente e seco.
As autoridades de saúde recomendam especial atenção às crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas, aconselhando a ingestão frequente de água, a permanência em locais frescos e a redução da exposição ao sol durante as horas de maior calor.
