O empresário Fernando Tavares elogiou o 25 de Abril, mas lembrou que nem tudo está bem e que é necessário reflectir sobre onde se falhou e corrigir os erros. O vereador social-democrata na Câmara de Tábua disse continuarem a existirem discriminações no país que não se enquadram no espírito do 25 de Abril, lembrando as falhas no actual sistema a de saúde. O empresário teme mesmo que a continuar assim, o país possa cair numa ditadura de direita ou esquerda. “Não é com flores que as coisas se endireitam. Hoje não temos saúde, nem justiça, nem educação”. Já o Presidente da CM de Tábua aproveitou cerimónia do 25 de Abril para anunciar investimentos e teceu elogios à revolução dos “cravos” que ofereceu aos portugueses “liberdade e evolução”.
As cerimónias solenes do 25 de Abril foram na sua maior parte feitas de discursos elogiosos. Mas houve também quem, salvaguardando o orgulho no 25 de Abril, apontou que ao fim de 50 anos da revolução nem tudo está bem. Que muita coisa falhou. Foi o caso do empresário e vereador na oposição na Câmara de Tábua, Fernando Tavares Pereira. Lembrou, na cerimónia solene daquela vila, que, antes do 25 de Abril de 1974, existiam muitos problemas, mas em Midões havia médicos. Recordou mesmo um dia a título de exemplo, um episódio ocorrido antes de 1974, em que foi levado para o antigo hospital em Coimbra, em Celas, devido a uma meningite, e onde teve cinco ou seis médicos durante todo o dia em seu redor.
“Trataram-me com dignidade e respeito”. A situação, lamentou, actualmente, é agitada pela com escassez de médicos nos hospitais e centros de saúde. “Onde é que se falhou? É importante reflectir. Não é com flores e a bater palmas que as coisas se endireitam”, atirou, recordando que estava a falar sem qualquer cábula e apenas “com aquilo que lhe ia na alma e no coração e as necessidades da população. “Com o 25 de Abril, criaram-se centros de saúde, escolas, hospitais, mas, decorridos estes 50 anos, apesar do respeito que tenho por essa data, falta dignidade, pois não temos saúde, nem justiça, não temos educação, todo o interior tem caído ao longo do tempo”, sustentou o vereador do PSD/CDS.
Questionando se o 25 de Abril foi executado para que isto aconteça, Fernando Tavares Pereira sublinhou que a revolução existiu para haver igualdade de critérios. “Para que o nosso povo, a nossa terra, as nossas regiões, tivessem também uma palavra a dizer, pois somos portugueses, temos direitos, temos deveres e conseguimos lutar tanto quanto os outros, desde que tenhamos as mesmas condições para o fazer. Só que não as temos e esse é o lema que todo o interior deve exigir, pois também somos portugueses de primeira, nem de segunda ou de terceira. Não vale a pena bater palmas para que, daqui a uns anos, o abismo aconteça, para que caiamos de novo numa ditadura de esquerda ou de direita. Peço aos intervenientes políticos que defendam os interesses da região, do país, de Portugal e da Europa”.
Fernando Tavares Pereira frisou ainda que há cerca 750 mil funcionários públicos, mas isso não se reflecte no atendimento à população. “Vou a um gabinete, a um tribunal e não tenho quem me receba. A GNR e a Polícia não têm elementos, não há médicos, nem professores, nem enfermeiros, onde estão os 750 mil funcionários públicos?”… “Não é com cravos que as coisas se endireitam, podem ajudar, é um símbolo que devemos respeitar”, disse, apelando a que o país seja igual em termos regionais e não subsistam desigualdades ou discriminações. Para concluir entregou ao presidente da Câmara a foto de uma senhora de muletas, residente em Vila Chã, que tem o acesso há um ano de à sua casa, porque o caminho está intransitável”. “Foi para resolver estas situações que aconteceu o 25 de Abril, mas, assim, a democracia está posta em causa”, referiu, esperando que felizmente agora “não é preciso ir ao Governo Civil pedir autorização para se ser empresário, nem existir uma necessidade absoluta de medir as palavras. “Em 1972, fui a Coimbra para tratar de ir para Angola. Disseram-me que só co m carta de chamada e passaporte. Retorqui que se era assim, aquilo não era Portugal. Foi o suficiente para o meu pai ser avisado que eu devia ter cuidado com o que dizia, porque poderia ter problemas”.
“[O 25 de Abril criou o] SNS que permitiu o acesso generalizado a todos os cidadãos que precisam de cuidados de saúde, assim como a construção de novas vias…”
Mas as comemorações do 25 de Abril em Tábua iniciaram-se com o hastear das Bandeiras ao som da Academia Artística do Município de Tábua e do Coro Polifónico do Município de Tábua, que entoaram temas alusivos a esta efeméride, a que se seguiu uma Sessão Solene evocativa no Salão Nobre dos Paços do Município.
Foi no decorrer desta sessão que o Presidente da Câmara vincou os ideais da Revolução, sublinhando que o Portugal da actualidade nada tem a ver com o de 25 de Abril de 1974, relevando as diversas melhorias, nomeadamente, a democratização no acesso à educação. “E porque ambicionamos ter sempre mais, posso anunciar-vos que ontem foi submetido ao PRR a candidatura para a ampliação e requalificação da Escola Secundária de Tábua, um investimento de seis milhões de euros”.
O autarca citou ainda o caso do SNS que permitiu o acesso generalizado a todos os cidadãos que precisam de cuidados de saúde, assim como a construção de novas vias, a integração de Portugal na Comunidade Europeia e a criação de um poder local democrático como uma das relevantes conquistas de Abril, frisando que as autarquias locais têm sido um parceiro fundamental do estado, através da concretização de projectos que têm contribuído para a melhoria de vida das populações. Contudo apelou a que os recursos sejam garantidos através de uma Lei de Finanças Locais que seja mais justa para com os territórios de baixa densidade, “onde os investimentos são sempre mais onerosos”
Citou ainda os projectos em curso em Tábua, nomeadamente o Plano Estratégico para a Juventude, para atrair jovens para o concelho, a fim de beneficiarem de empregos dignos e mais qualificados e a disponibilização de lotes para a instalação de novas empresas. E refira-se, a propósito, que três jovens estudantes (Laura Gomes, do 1º Ano do Pólo de Tábua da EPTOLIVA, João Oliveira e Leonor Pereira, do 12º do Agrupamento de Escolas) discursaram nesta cerimónia, dando a conhecer o seu testemunho sobre o 25 Abril.
A instalação de um monumento na Rotunda da E.N. 17 no nó de acesso ao IC 6 na Moita da Serra (Carapinha), do qual sobressai um cravo gigante com mais de cinco metros de altura, constituiu um outro momento alto das comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril promovidas pelo Município de Tábua. Durante este acto, de relevar o discurso do Presidente do Núcleo de Tábua da Liga dos Combatentes, primeiro-Sargento Armando Costa, o qual reforçou a necessidade dos antigos combatentes serem alvo de um justo reconhecimento público e político, lembrando que em 2024 também se celebraram os 100 anos da liga dos Combatentes. De referir que a esta cerimónia compareceram, igualmente, vários elementos da Associação de Combatentes de Tábua, empunhando o seu estandarte.
