Correio da Beira Serra

Os actores. Autor: Fernando Roldão

Eu sou um consumidor de cinema, também denominado sétima arte.

Esta designação surgiu em 1912, por um senhor, chamado Ricciotto Canudo, que ele usou para designar o cinema, mas só em 1923 foi publicada esta classificação.

A ideia era numerar as artes, como uma forma simples de classificar as diferentes manifestações artísticas que felizmente coabitam connosco.

O cinema tem tido um papel importantíssimo na divulgação da arte de representar, seja na realização de filmes biográficos, acontecimentos verdadeiros, desempenhando, também, na área da ficção, um papel importante, tornando possível, o comum cidadão tomar conhecimento de algumas realidades, oriundas da ciência, porque afinal, ele é cultura.

Os filmes, sobretudo os mais recentes, trouxeram uma nova realidade, os chamados efeitos especiais, que possibilitam tornar a representação muito mais real.

Falar em cinema, obriga-nos a chamar à cena, os actores, que são, afinal os seus principais elementos, pois representam e encarnam as mais diversas personagens, que nos permitem viajar no tempo, chorar ou rir com as suas performances, podendo representar um bandido, um doente, um politico, um mentiroso ou um virtuoso.

Depois de filmarem as cenas, despem a personalidade da personagem que representaram e voltam à sua vida de cidadão, com os defeitos e qualidades que todos nós temos.

Um actor ao representar um papel de burlão, nós sabemos que ele não é isso na sua vida real, salvo raras excepções, mas em cena faz com isso que pareça real.

Infelizmente temos no nosso quotidiano, actores que quase nunca conseguem separar a sua representação da realidade, pois falta-lhe talento.

Mentem quando sobem a um palco, falando para o público, encarnando a sua própria personagem, não conseguindo ser, depois do espectáculo, cidadãos normais, apesar da maioria deles ter jeito para a sétima arte, com a diferença que se representam a si próprios.

Estou a falar dos actores/políticos, que dão mau nome à sua classe, apesar de existirem algumas honrosas excepções, que se esforçam por dignificar as suas carreiras.

Os verdadeiros actores têm a missão espinhosa de fazer chorar, rir e sobretudo despertar emoções nas plateias, ao contrário dos políticos que só causam sensações de frustração, desilusão e falta de confiança na sua representação.

Não comovem a maioria da população, farta destes aprendizes de actores, que passam a vida a encarnar a sua própria personagem, fazendo de bom da fita, quando no final do filme, constatamos que eles são o oposto.

O meu gosto pelo cinema, já me proporcionou conhecimentos suficientes para poder comparar uma boa representação, de uma má e quando tentam inventar realidades, que afinal não são mais do que virtualidades.

Infelizmente, durante a minha vida tenho assistido a muitas cenas deste género, onde os protagonistas não conseguem despir a pele, do que são na vida real, achando, para eles próprios, terem conseguido uma boa representação.

Os políticos são como um dia muito nublado, não deixando o sol brilhar, gritando aos quatro cantos da terra, que o fazem para salvar os outros dos raios solares.

O egoísmo, o narcisismo e sobretudo a grande vontade de serem protagonistas num filme de mega produção, mas que afinal, só os torna em meros figurantes, tornando-o num fracasso de bilheteira, esbanjando orçamentos em produções medíocres.

Infelizmente, têm público que lhes alimenta o seu carunchoso ego, só conseguindo atrair espectadores do mesmo nível.

Os bons actores ficarão sempre para a história e serão sempre lembrados com saudade, enquanto, que, os maus, se perderão no trajecto do tempo.

Há poucos dias assisti a uma representação verdadeiramente alucinante, onde os intervenientes se esforçaram por representar um papel de bonzinhos, honestos e inteligentes, quando ao fim de pouco tempo, o cenário lhes caiu em cima e os espectadores vaiaram a performance, dando provas da sua péssima qualidade na arte da representação.

Acho que não têm futuro na sétima arte, pois precisam de representar melhor, dando mais realidade às cenas e bastou, olhar com atenção os seus semblantes, para concluir que eles próprios não acreditavam na personagem que estavam a interpretar; eles próprios!

Portugal está infestado de maus actores, pelo que será necessário fechar o teatro onde eles representam, muito mal e sem credibilidade.

Fazer um solo de guitarra clássica só com uma corda, é monocórdico e enfadonho.

 

 

 

Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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