Foi uma sessão com uns 14 pontos na ordem do dia. Muitos!
E começou aos solavancos.
Logo de início, um membro da Assembleia foi protestar contra o facto de a sessão ter sido mal convocada, fora do prazo indicado na Lei e no Regimento — foi convocada com apenas metade dos oito dias de prazo mínimo. Tem razão para se insurgir e para reclamar correcção a esse mau “hábito”… Porém, na mesma declaração de princípios, enquanto afirmava não pretender fazer adiar aquela sessão, também afirmava o direito a poder interpor, por via administrativa, recurso contencioso com vista a eventual impugnação. Também logo houve quem assinalasse a contradição… Aliás, esta parte deu acirrado debate até a sessão continuar, quando assim se quis.
Da Mesa “cortaram o pio” a um Presidente de Junta de Freguesia…
Pouco depois, o Presidente de uma Junta de Freguesia foi interrompido pela Mesa da Assembleia na sua intervenção no período de antes da ordem do dia, por já estar no uso da palavra há demasiado tempo, disseram-lhe, embora, no caso, ainda não estivesse a falar sequer durante cinco minutos.
Esse membro, agora por inerência, da Assembleia protestou com veemência contra essa interrupção e lembrou que, desde que pela primeira vez entrou, então como eleito directo, na Assembleia Municipal, nos idos de 1980, já era (mau) costume ser interrompido quando estava no uso da palavra, e que tal prática antidemocrática assim continuou pelas várias Mesas da Assembleia durante um período que, não sendo contínuo, começou já lá vão mais de 45 anos!
Assinalou que as pessoas e os partidos das maiorias partidárias têm sido diferentes, mas, afiançou, “quando a conversa não agrada e incomoda, essas maiorias partidárias de circunstância logo interrompem as suas intervenções”…
Presidente e ex-Presidente da Câmara trocam “mimos” azedos.
E a sessão aqueceu mesmo com as duras “caneladas” trocadas entre o Presidente da Câmara e o ex-Presidente, agora “oposição” pelo grupo do PSD. Disseram um do outro que havia “ignorância” na apreciação de um dado assunto. E vai daí, o ex-Presidente não se coibiu de dizer, de caras para o Presidente da Câmara, que, quando este falar em ignorância, “que se dirija a alguém da sua família e não a ele”! A doer, não? Por sinal, o Presidente “cortou para canto” e o assunto esmoreceu de tom… Mas esteve duro!
Líder do grupo do PSD ensaia manobra de aproximação aos representantes do “Oliveira – O Motivo”.
E esta foi a nota política mais curiosa desta sessão. De facto, e ainda o ambiente não tinha “sossegado”, quando o líder da bancada do PSD e ex-Presidente da Câmara vai à tribuna “passar a mão nas costas” aos representantes do “Oliveira o Motivo” e a dar-lhes mesmo umas “beijocas políticas”, enaltecendo-lhes as posições que haviam tomado durante o aceso debate em torno dos atrasos na convocatória da sessão. Ou seja, independentemente de haver ou não sinceridade, há nisto uma clara vontade (e manobra) de se aproximar partidariamente desses membros da Assembleia (e não só da Assembleia) que, com a respectiva candidatura, tiraram umas centenas de votos à coligação eleitoral PSD – CDS/PP em Oliveira do Hospital e assim elegeram um Vereador no Executivo Municipal. Estão a ver?…
De nossa parte, ainda tivemos oportunidade para abordar essa manobra de aproximação com um dos representantes do “Oliveira – O Motivo”, que sorriu para afiançar, com convicção, que “o actual PSD pois que tire o cavalinho da chuva quanto a esse objectivo”. Sim, acreditamos que, sublinhe-se, “o actual PSD” pode mesmo deixar de tentar essa manobra política, sobretudo através de quem o dirige e de quem mais publicamente o representa na Assembleia Municipal. Na verdade, os de facto dirigentes do “Oliveira – O Motivo” estão “noutro campeonato”, aliás, tal como dão a perceber… e deram a perceber bastante tempo antes das Eleições Autárquicas de 2025…
Outra nota a reter é que os Vereadores da “oposição” eleitos em 2025 “desapareceram” de estar presentes em mais esta sessão (pelo menos desde o início)…
Em como gracejar pode ser uma forma hábil de desarmar…
Salientar ainda um episódio ocorrido durante uma posterior intervenção do mesmo Presidente de Junta antes interrompido. Falava ele ao micro do som instalado na tribuna e nisso também se agitava. Fez sair e cair no sobrado a protecção desse micro, um casulo em espuma plástica, mas ele continuou a falar, embalado, antes que lhe voltassem a “cortar o pio”. E é nesses preparos que sai da Mesa o Presidente da Câmara, a dirigir-se à tribuna dos membros da Assembleia para recolocar a capa do micro, enquanto gracejava de forma apaziguadora. Uma atitude inesperada, mas desarmante, e que mereceu resposta(s) idêntica(s) do tal Presidente de Junta. Sim, mais vale gracejar que ralhar…
E assim vai este “campeonato” em Oliveira do Hospital…
30 de Setembro de 2026
Autor: João Dinis, Jano