Sim, barafusto também entre quatro paredes. Por vezes, sou visto, ouvido e tido como um resmungão incorrigível . Minha filhota diz mesmo que eu estou sempre a reclamar. E reclamo e volto a reclamar nem que a voz me doa, ora essa ! Aliás, e já que falei nela, eu dizia a minha filhota quando ela, bébé, chorava de noite ou de madrugada:- pequerrucha, se achas que tens razão nunca te cales !… E a seguir reclamava a mãe que não dormia com o choro. Enfim, reclamações.
Vem este introito “post-diens” (após o dia) a propósito do desagrado que sinto em crescendo face às dificuldades burocráticas que enfrentamos na instalação de uma renascida (Junta de) Freguesia em que temos a honra de ter sido eleito, ainda recentemente, para a presidir. Pequeno mais ainda assim dignificante poder. Oxalá tivéssemos mais poderes neste âmbito e mais meios para os exercer ! Mas este “campeonato” está como está e oprime um cidadão esclarecido e as instituições de maior proximidade em relação às Pessoas concretas..
Às vezes as “invencionices” tecno-burocráticas são de tal ordem exageradas que nem dá para acreditar ! Por exemplo, andamos já quase há um mês para abrir e operacionalizar uma indispensável nova conta bancária para movimentar os curtos recursos financeiros – os dinheiros míseros – colocados à disposição da (Junta de ) Freguesia para pagar as suas despesas e receber as correspondentes receitas. Quase um mês à espera e sem outros recursos do tipo ! Acresce que, sem verbas, não dá para se equipar a Freguesia para prestar serviços públicos à população. Portanto, estamos assim bloqueados pelo “sistema” que nos amarra à inércia. E a vida a passar à nossa frente, cá fora…
Claro que cedo reclamámos contra isto e não poupámos em palavras e em expressões mais ou menos “idiomáticas” ! Estivemos mesmo a pedir explicações a um gerente do banco onde tentámos abrir a tal conta bancária da Freguesia. Disse-nos ele, com ar cândido, que agora eu e meus colegas somos PEP´s – Pessoas Politicamente Expostas e que, por isso, o processo de operacionalização de uma nova conta bancário era necessariamente demorado…Um PEP é, por exemplo, um político, como eu, eleito e ainda que o seja numa Freguesia sem recursos a qual prevê receber apenas uns 36 mil euros em 2026, via Orçamento do Estado para o próximo ano.
Esta prolongada demora terá pois a ver com o escrutínio (bancário) prévio de um autarca eleito e para, desta forma, se prevenir actos de corrupção e afins, dizem eles os alegados “guardiões do templo” ?! Ora bolas !
Acontece que a Lei portuguesa de criação dos PEP foi “inventada” em 2017 durante um dos governos de António Costa e do PS. Que uns anitos mais tarde vieram a promover um “chefe de gabinete” que coleccionava envelopes cheios de dinheiro “incógnito” no seu gabinete governamental… Ou seja, pelos vistos, isso dos PEP afinal seria para “outros” mas calhou-lhes logo a “eles”. E agora “pagamos nós as favas“… Ora bolas !
Para quê tanta complicação?! Dêem-me um folha de papel almaço e um lápis mal afiado e eu faço a “contabilidade” de uma (Junta de) Freguesia como esta!
Enfim, nós não fomos eleitos para ser contabilistas. Todavia, para fazer uma contabilidade fidedigna a uma Entidade com a movimentação financeira como terá esta (Junta de) Freguesia, bastaria uma folha de papel almaço dobrada ao meio e um lápis ainda que mal afiado.. De um lado, debaixo do título “Receitas” discriminava as receitas e somava-as. Do outro lado, sob o título “Despesas” discriminava as despesas e somava-as. Em baixo, uma coluna com “Saldo = x Euros”. Indicava isso mesmo, o saldo apurado deduzidas as despesas às receitas ou ao contrário embora neste caso nada conveniente que o saldo não convém ser negativo.
É objectivo “do sistema” complicar o que pode ser simples e barato !
Bem, com as implicações tecno-burocráticas “inventadas” para complicar o que pode ser simples, essa complicação inerente acaba por custar-nos caro. Estamos em crer, com o cérebro a doer-nos, que feitas todas as contas, os custos necessários a dar cumprimento a tanta e tão desnecessária imposição legalista, esse custo pode atingir, em 2026, uns 7 mil euros em aquisição de equipamento compatível e de serviços externos, o que significa gastar, nestas “coisas”, cerca de 15% do Orçamento da (Junta de) Freguesia para o próximo ano ! Ora bolas !
Pois então, barafusto eu, e proclamo:– transfiram-nos cá para a (Junta de ) Freguesia, aí pelo menos um milhão de Euros ao ano…e depois exijam !… Assim, como vai este “campeonato”, vão lá pró caraças ! Descompliquem, descompliquem !!
E se, como eu, também barafustassem os outros Colegas, também eles atingidos pelo “sistema”, veríamos estas “coisas” evoluir favoravelmente. Portanto, vamos todos reclamar…e reclamar…e reclamar !!
João Dinis, Jano.
(Autarca em Vila Franca da Beira)