Correio da Beira Serra

«Ovo da Serpente» a chocar entre nós ?  Não !  Vade retro Satanás ! Autor: Carlos Martelo

Temos em nossa memória plástico-visual e também ideológica, esse notável filme dirigido (1976/77) por um dos realizadores meus favoritos o Ingmar Bergman.  Aliás, lembro-me bem de algumas das sensações e reflexões que esse filme em mim provocou logo quando o vi em televisão, depois no cinema e por aí fora sempre que, pelo menos, o seu título me aparece em algum contexto. E a minha maior devoção a essa obra cinematográfica nem sequer advém da conceção puramente artístico-formal em termos de realização mas muito mais devido ao seu conteúdo encaixado em ambiente dramático, no início da década de 1920-30 em Itália, onde o fascismo e Mussolini assaltavam o Estado Italiano e lançavam as bases brutais da opressão económica, social, individual e militarista, rumo à guerra. Assim nascia a «serpente fascista» que já vinha sendo chocada no ovo…

Vem esta parte como introdução a um processo atualmente em acelerado curso nas nossas vidas, em Portugal, aliás também como fora dele, em vários países e regiões do mundo.

Trata-se das géneses e de movimentos com «figurinos» já adaptados e movidos através de partidos políticos, de políticos e politólogos, sempre apoiados por setores dos maiores interesses económicos e financeiros.  Ostentam ideais e projetos retrógrados que vão beber inspiração, inclusivamente quanto a certas táticas de ação prática,  ao início do século passado, a partir de 1920, ao fascismo em Itália, como já se disse e, a seguir a 1930, ao nazismo na Alemanha que massacrou diretamente Europa e África até ao final da II Grande Guerra, em 1945. E mais entre nós e por enquanto, «sugerem» certos «ideais» do fascismo em Portugal que por cá dominou desde 1930 até ao 25 de Abril de 1974 mas que também deixou seus «ovos» encovados, à espera de melhor oportunidade para eclodir…

A sede de poder é grande ! «Está quase, está quase !»  ameaçam já…

São ideias, argumentos e projetos antidemocráticos e mesmo neofascistas.  São por isso verdadeiros retrocessos civilizacionais onde se geram e acumulam forças e dinâmicas muito preocupantes, temperadas a ódio e revanchismos.

Nas últimas Eleições Legislativas (18 de Maio) obtiveram resultados de monta e, por assim dizer, estão já «à babugem do poder», uma perspetiva que muito os excita, pelo menos aos dois maiores desses partidos da chamada «extrema direita» também parlamentar. Já espumam de ansiedade embora ainda tentem disfarçar !

Para nós, todos aqueles que sentimos já na nuca o «bafo quente» desses projetos prontinhos para nos abocanhar pelo pescoço, todos nós devemos estar bem cientes do perigo.  Entretanto, também devemos ter em conta que não são fascistas, ou sequer parecidos, todas as centenas de milhar de Votantes que, amargurados pela vida e injetados pela grande comunicação social, entenderam dar os seus votos a tais «monstros» feitos partidos políticos.

O nosso objetivo também passa, e muito, pela conquista democrática de capacidade e convencimento para ir outra vez ao encontro das aspirações desses Votantes para os recuperar para a defesa da Democracia, para o respeito pela diferença individual e social e pela Paz.   É possível !

Governar bem para esterilizar o novo «ovo da serpente»         que «choca» nos nossos dias difíceis !

As raízes profundas do crescimento destes projetos fascizantes radicam nas dificuldades que milhões e milhões de Pessoas atravessam nas suas vidas e na vida dos seus.  Por sua vez, essas dificuldades têm causas e causadores como também acontece entre nós.  Só que, e concordo com quem assim também fala, o sistema dominante esconde tudo isso e mantém os Cidadãos desinformados e «intoxicados» nomeadamente através da grande comunicação social e de certos governantes, aos vários níveis.

Nestes contextos, a nossa missão é muitíssimo difícil mas se fosse fácil também não era para nós.  Por tudo isso, é indispensável continuar !

Agora, que os Democratas e as Forças Democráticas,  e recentremo-nos de novo em Portugal,  sejam capazes de gerar e desenvolver a maior unidade, a começar pela unidade na ação, na defesa do regime democrático cuja base formal e política assenta na atual Constituição da República.

Mas que também ninguém tenha dúvidas: é preciso governar melhor, é preciso governar para resolver os grandes problemas da nossa vida e do país.  Em síntese, é preciso «governar com o Povo e para o Povo!» o que,  lamentavelmente, não tem acontecido. E antes que seja demasiado tarde que «as serpentes já sibilam»…

 

 

 

Autor: Carlos Martelo

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