
Quando Pedro Passos Coelho irrompeu pelo parque por volta das 18h00, distribuindo beijos e abraços, não haveria mais de 300 pessoas à sua espera, e o PSD deixava assim mais um sinal claro de ainda não se ter recomposto da guerrilha que se abateu sobre o partido e que já se arrasta há uns anos.
Passos Coelho conhece o “dossiê” que retrata o clima de instabilidade que se vive no seio da secção do partido, e fez questão de deixar um aviso ao considerar que “é importante sabermos que estamos todos a remar para o mesmo lado”. “É isso que eu espero que também se venha a concretizar em Oliveira do Hospital”, frisou o líder nacional do partido.
Alegando ter conhecimento dos “problemas” que houve na secção do PSD local, o líder do principal partido da oposição disse ainda querer voltar a ver “os militantes unidos a sarar as nossas feridas para ganhar as próximas eleições autárquicas”.
Depois deste telegráfico aparte, Passos Coelho concentrou grande parte do seu discurso na despesa do Estado e no “abuso” que considerou ser o facto de José Sócrates querer equilibrar as contas através do “bolso” dos portugueses.
Sustentando que em Portugal – contrariamente aos outros países da Europa – a despesa do Estado não baixou, o líder do PSD disse que “o primeiro-ministro quer fazer à classe média o maior ataque de que há memória”. “Eles o que querem é ir buscar o dinheiro às pessoas, e o que nós queremos é que o Estado baixe a sua despesa”.
Com muitas críticas ao despesismo do Estado em mordomias, Passos Coelho disse que “o Estado é maior do que nunca mas está disfarçado para as pessoas não saberem”. Como alegado exemplo disso, falou da “quantidade de gente que anda aí com carros do Estado”, e disse que se estivessem identificados com “a placa branca com a palavra estado” “talvez existisse mais gente com vergonha de abusar dos nossos impostos”.
Sobre o desemprego, o futuro candidato do PSD a primeiro-ministro diz que a situação é tão grave que, em termos de comparações, “é preciso recuar ao tempo de Salazar, em que muita gente tinha que emigrar” à procura de sustento. “Temos hoje 600 mil desempregados, mas o desemprego é 700 mil….”, referiu Passos Coelho, afiançando que 100 mil pessoas sem emprego “não entram nas estatísticas”.
O que o principal adversário de Sócrates também não deixou passar em claro foi o facto de o governo gastar “quase 400 milhões de euros numa empresa como é a RTP” e, depois, “não ter dinheiro para manter serviços públicos”. “Haja moralidade e decoro a gastar o nosso dinheiro”, exigiu Passos Coelho pouco tempo antes de ter descido do palco para se entregar à tarefa hábil de fatiar um bolo comemorativo dos 25 anos que o PSD leva de festas/convívio nas Caldas de S. Paulo.
“Afinal, com eles o IC 6 não é uma realidade”
Visivelmente satisfeita com a presença de destacadas figuras do PSD nacional – o líder da distrital de Coimbra, Pedro Machado, parece ter enterrado o “machado de guerra” e também foi às Caldas -, a presidente da comissão política concelhia disse que a presença de Passos Coelho significa que “Oliveira do Hospital faz parte da sua trajectória política”.
Sandra Fidalgo dirigiu depois algumas críticas às “trapalhadas que o PS tem feito a nível nacional”, e servindo-se de um slogan da campanha eleitoral de José Carlos Alexandrino, nas últimas eleições autárquicas, também deixou um recado aos socialistas locais, ao afirmar que “afinal, com eles o IC 6 não é uma realidade”. A primeira mulher a dirigir o PSD de Oliveira do Hospital, lamentou que “a crise tenha sido utilizada como pretexto” para que o IC 6 tenha “terminado no meio do nada”.