Semelhança do que vem realizando em anos anteriores, o Correio da Beira Serra fez na semana passada uma ronda pelas principais zonas balneares do vale do Alva, concelho de Oliveira do Hospital. Apesar de serem locais encantadores sob o ponto de vista da beleza natural e com forte aptidão turística, o cenário encontrado continua a não ser muito diferente e, nestas circunstâncias, não será com certeza nos próximos anos que o Ministério do Ambiente do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional encontrará argumentos com vista à classificação daquelas praias fluviais como zonas onde a prática balnear é aconselhada.
É uma pena que assim seja porque, na verdade, os vales do Alva e Alvôco são inequivocamente um dos principais trunfos turísticos do concelho de Oliveira do Hospital.
Numa altura em que o turismo verde ganha cada vez mais adeptos, há vários municípios do interior do país a apostar nos recursos fluviais. Ainda recentemente, o concelho de Penela, distrito de Coimbra, foi notícia pelas condições de excelência que criou na praia da Louçainha. Trata-se de uma praia que nos anos de 2007 e 2008 foi galardoada com a bandeira azul e classificada como praia acessível aos cidadãos portadores de deficiência.
Entre os serviços de apoio disponíveis naquele local de veraneio, contam-se um bar, duches, instalações sanitárias, restaurante e – muito importante – a existência de um nadador salvador.
Na maior parte delas, não há qualquer vigilância nem meios de socorro. A única zona balnear onde o CBS encontrou uma elementar bóia de salvação foi em Caldas de S. Paulo – um local de veraneio magnífico onde o poder local devia investir com vista à sua classificação.
Em S. Gião, num ambiente verdadeiramente refrescante, faz pena ver o único investimento que nos últimos anos ali foi feito: uma extensa placa de betão a servir de areal que, no pico do verão, é um verdadeiro recuperador de calor.
Na praia de S. Sebastião da Feira, nota-se que há boa vontade por parte das autoridades locais que, anualmente, procedem à limpeza do leito do rio e das margens. Falta o resto!
No rio menos poluído do concelho e com águas de melhor qualidade – o Alvôco –, a praia fluvial local é bastante convidativa, foi melhorada em termos de infra-estruturas, mas peca pela falta de alguns equipamentos de apoio, sobretudo ao nível da segurança.
Mas aparte estes importantes detalhes, as praias fluviais concelhias são hoje um produto turístico quase única e exclusivamente para consumo interno. Não há promoção, não se conhece qualquer roteiro. Há apenas algum folclore promovido pela Câmara Municipal a que se convencionou chamar “Animação das Praias Fluviais”.
Henrique Barreto
Fotos: João Sargo