Correio da Beira Serra

Penalva do Castelo debateu potencial do enoturismo para valorizar a região e impulsionar os produtores de vinho

O enoturismo pode ser uma mais-valia para a região e para os produtores de vinho, contribuindo para atrair visitantes estrangeiros, valorizar os vinhos do Dão e dinamizar a economia local. Esta foi uma das principais ideias defendidas na edição comemorativa do Dia Mundial do Enoturismo, promovida ontem pela Câmara Municipal de Penalva do Castelo, que reuniu produtores e responsáveis do sector no Mosteiro do Santo Sepulcro, para provas de vinhos e colóquios.

A ligação entre o vinho e o património esteve também em destaque na iniciativa. A Tavfer Vinhos aproveitou a ocasião para apresentar o espumante Picos do Couto Blanc de Noir Touriga Nacional Reserva Bruto 2023, Dão DOC, e dar a provar o BOVTI Reserva 2021, produzido com uvas da Quinta do Mosteiro, propriedade onde se encontra o Mosteiro do Santo Sepulcro. A primeira edição deste vinho, limitada a 1333 garrafas, foi dedicada ao monumento.

João Loureiro, um dos responsáveis pelos vinhos Tavfer, defendeu um maior investimento no enoturismo por parte das empresas, dos municípios e das comissões vitivinícolas regionais. Considera que a promoção de visitas às quintas, a realização de provas, bom  como roteiros pelo património histórico e natural podem contribuir para atrair turistas estrangeiros e impulsionar as vendas. Para o responsável, importa proporcionar aos visitantes uma experiência que vá além da prova de vinhos, dando-lhes a conhecer a história, a gastronomia e a identidade dos territórios.

A ligação entre vinho, paisagem e património esteve também no centro da intervenção de João Pedro Araújo, da Quinta da Vigia. O responsável considera que os visitantes procuram sobretudo conhecer a envolvente das propriedades, desde as colinas e os cursos de água à vegetação, da à paisagem à história, e não tanto os aspectos técnicos da produção. “Não adianta falar de inox, bombas de transferência, ninguém quer saber disso”, afirmou, defendendo que a experiência de enoturismo deve valorizar aquilo que distingue cada propriedade e o território onde se insere.

O responsável referiu ainda que a empresa estabeleceu acordos com duas transportadoras para facilitar o envio de garrafas para casa dos clientes, respondendo às dificuldades de quem viaja e não pretende transportar vinho na bagagem. “Este tipo de clientes tem maior poder de compra do que aquele que vai às garrafeiras e não se importa de suportar os custos de envio. E neste  momento em três ou quatro dias qualquer cliente na Europa pode receber o vinho em sua casa”, frisou.

Também José Matias, da Casa da Ínsua, destacou a importância da história das propriedades e das famílias que lhes deram origem. A paisagem, os jardins e os edifícios são elementos que contribuem para atrair visitantes, sendo o vinho parte de uma experiência mais abrangente. Este responsável considerou que o enoturismo é algo muito importante para os produtores de vinho, não só porque atrai clientes com poder de compra como evita que as empresas tenham de repartir verbas com os distribuidores. “Mas actualmente o paradigma está a mudar. Estes turistas já não se interessam pelos aspectos técnicos. Querem conhecer a história, as tradições. No nosso caso, a pessoa com quem mais querem falar é com o pastor, para saberem porque mete as ovelhas na vinha ou conversar com quem faz o queijo à mão. Mas para isto funcionar temos de trabalhar todos de forma articulada”, frisou.

O potencial do Mosteiro do Santo Sepulcro para reforçar a oferta turística de Penalva do Castelo e contribuir para a afirmação do enoturismo no concelho foi uma ideia presente nas várias intervenções. Entre os presentes esteve Fernando Tavares Pereira, líder do Grupo Tavfer e proprietário do imóvel, que o cedeu à Câmara Municipal, em regime de comodato por 20 anos, tornando possível avançar com a recuperação do edifício, que se encontrava em avançado estado de degradação. A intervenção, que representou um investimento superior a 600 mil euros, devolveu o monumento à comunidade e criou condições para que possa assumir um papel importante na dinamização turística do território, articulando o património histórico com os vinhos, a gastronomia e outros produtos locais. “O mosteiro pode ser um ex-líbris de Penalva do Castelo e também da região. Podem contar connosco. Esta é uma parceria que se fez de bons amigos e em que nós também dispensámos mais de cinco hectares de terreno para o vosso serviço e apoio a esta casa”, frisou o empresário.

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