“É verdade que há pessoas que ainda não receberam todos os apoios prometidos sobre os incêndios de Pedrógão mas vamos gastar 1,8 milhões num memorial?”. Esta foi a resposta do Polígrafo que tinha recebido esta pergunta da parte de vários leitores sobre os fogos de 2017 que mataram 66 pessoas e fizeram 253 feridos. É que se as indemnizações por morte e ferimentos graves já foram pagos, o mesmo não se pode dizer da reconstrução das habitações destruídas, com várias famílias ainda sem habitação.
Mas ainda assim vai avançar o projecto da autoria do arquiteto Souto Moura – que não cobrará pelo seu trabalho – é constituído por um lago artificial com uma fonte que jorrará permanentemente e um moral com o nome das vítimas mortais. Segundo a agência Lusa, a concretização da obra custará 1,4 milhões de euros, ficando os restantes 0,4 milhões para os acessos rodoviários (que incluem uma zona de inversão de marcha), a renovação da paisagem da marginal da EN 236-1 e a plantação de um conjunto de diferentes espécies arbóreas autóctones ao longo de dois quilómetros. O monumento irá homenagear as 115 vítimas mortais dos dois grandes incêndios de 2017 (17 de Junho e 15 e 16 de Outubro).
No que respeita às 375 indemnizações (300 por morte e 75 por ferimentos graves) reconhecidas como devidas pelo Estado foram já pagas. A AVIPG e a MAAVIM confirmaram ao Polígrafo que não há qualquer pendência relativamente a estes casos. O mesmo não acontece na reconstrução total ou parcial de primeiras habitações. Conforme informação disponibilizada pela própria CCDR Centro sobre as vítimas dos incêndios de Outubro de 2017, há oito casos em que o apoio está ainda em execução, ou seja, os proprietários não têm a sua casa pronta a habitar. A história de Rosa Peres (no concelho de Tábua) foi relatada numa reportagem da SIC em Outubro último e, na altura, o atraso na reconstrução era ainda bastante significativo.