De há tempos a esta parte, diga-se que a tendência oficialmente estimulada vai no sentido do “velho” conceito de patriotismo ser muito desvalorizado no altar do supranacionalismo e da subserviência institucional face a outros países e nacionalidades onde imperam a “língua do dólar” (EUA) e a “língua do euro” (o alemão)… É neste ambiente de vida que somos obrigados a viver embora não vivamos para ele e, da minha parte pelo menos, antes pelo contrário.
Sim, por exemplo, tenho muitas saudades do “ambiente” do nosso Escudo-Moeda e posso afirmar que desde a imposição do “Euro” (2000 – 2002) eu nunca mais consegui poupar dinheiro (e não o esbanjo…) e sempre senti e sinto muitas dificuldades em fazer chegar o salário, ou a reforma, até ao fim de cada mês que não tenho outros rendimentos. E um país que perde a sua moeda perde parte substancial da sua independência e da sua dignidade institucional.
Uns 20% (ou mais) das e dos residentes em Portugal – quase 2 milhões – vivem em estado de pobreza…
Na verdade, estudos vários vêm dando conta que a residir em Portugal em “estado de pobreza” já há 20% da População – quase 2 milhões numa População com cerca de 10 milhões. É um nível tão alto de pobreza que me deixa indignado ! É desumano !
E uma das características mais perversas desta “nossa” pobreza recai em bastantes compatriotas que trabalham e que, é suposto pelo menos, recebem retribuição por esse trabalho. Porém, é uma retribuição salarial (ou outra) claramente insuficiente para poderem custear um nível de vida capaz de os retirar do nível de pobreza e de carências várias.
Saliente-se que no meio desta situação insustentável, há muitas dezenas de milhar de Crianças que correm todos os riscos de virem a ser Homens e Mulheres “que nunca foram crianças”. É dramático se não trágico !
Note-se que, no caso em apreço, a situação real no nosso País é ainda pior do que aquela situação – que já é bastante má – constante das “estatísticas” e dos “estudos” divulgados que muita Gente não assume, por “vergonha social”, o seu estado de pobreza… Portanto, tenha-se isso em conta !
É uma situação que marca um trajecto de recessão económica e social produzido pelas políticas de direita (anti-sociais) definidas e aplicadas por sucessivos (des)governos no contexto das nocivas imposições sócio-económicas e financeiras da UE, União Europeia.
É um problema que tende para ser uma “nódoa negra”, e das piores, no regime democrático que reconhecemos ter no nosso País e que este ano de 2024 comemora 50 anos desde o 25 de Abril de 1974.
Porém, o “sistema” que nos (des)governa pretende agora aumentar ainda mais as despesas com armamentos e com guerras “dos outros”.
E agora, enquanto o “sistema dominante”, com o actual (des)governo PSD/CDS-PP a comandar e com – PS – Chega – IL – a fazerem de conta que gravitam em órbitra dita de “oposição”, este “sistema” acelera rumo ao (grande) aumento das verbas supostamente destinadas ao “Orçamento da Defesa Nacional”. Trata-se de um compromisso assumido, aliás com manifesta arrogância, pelo actual (des)governo que faz questão em aumentar essas verbas públicas (assumpção de despesas em Orçamento Nacional) para um mínimo de 2% do PIB, Produto Interno Bruto, português, o que vai equivaler a uma despesa financeira anual de quase 5 mil e 500 milhões de Euros/ano por imposição da NATO e tendo por base o PIB de 2023, sendo que as estimativas de governo e da já citada “oposição” puxam mesmo para os 6 mil milhões de Euros em 2029, aliás uma despesa três vezes maior do que para 2023 ! Uma brutalidade !…
Com esta verba – e ainda vamos a ver o que vai custar com Trump a presidente dos EUA “e da NATO” – afinal em quanto se poderia melhorar – o SNS, mais a Educação e a Habitação ? Em quanto poderiam ser aumentados salários, pensões e reformas, etc? Sim quantos Portugueses e Portuguesas poderiam ser ajudados a sair do estado de pobreza (assumida ou não) em que se debatem e muito sofrem ?
Mas a opção política e governativa já em vigor é, perversamente, no sentido de, como se disse, aumentar bastante a verba a gastar em armas e nas guerras dos outros que a NATO é isso mesmo ! Em última análise, trata-se de continuar a contribuir para fazer aumentar os lucros assassinos dos “traficantes da morte” em vez de acudir à População nas suas necessidades e direitos Constitucionais entretanto violados !
E, isto, dentro de um outro sofisma igualmente perverso que é o de se produzir mais armamentos dentro de Portugal… Mas o mesmo (des)governo e a mesma “oposição” – afinal os Partidos do “sistema” – não falam em promover a produção nacional, e só como exemplos, de Cereais–Pão e de Medicamentos…
Trata-se, em suma, de más opções políticas e governativas que correm todos os riscos de ter consequências autenticamente criminosas !
Não e não a mais armamentos e às guerras !!
Sim, só a Paz faz sentido ! Sim, só a Paz garante futuro à Humanidade !
Novembro de 2024
Autor: João Dinis, Jano
