
Em 2020, Portugal era o 4.º país europeu (entre os países com dados disponíveis) com menos capacidade de energia solar instalada por habitante, com cerca de 100 watts per capita. Apenas a Turquia, a Roménia e a Rússia apresentavam menos capacidade de energia solar instalada no contexto europeu. No topo do ranking estavam, respetivamente, a Alemanha (645 watts per capita), os Países Baixos (584 watts per capita) e a Bélgica (489 watts per capita), países com muito menos horas de sol por ano do que Portugal, mas que têm apostado muito mais nesta energia renovável.
Em Setembro de 2021, o Secretário de Estado da Energia, João Galamba, admitia que existe um “subdesenvolvimento do solar fotovoltaico em Portugal. Apesar de ser o país com um dos maiores potenciais, a atual capacidade solar instalada é bastante baixa em termos percentuais no mix energético em Portugal, quando comparada com os restantes países europeus”.
O sector solar fotovoltaico precisa de uma estratégia coesa, assente em pilares que ofereçam uma transição energética justa para a sociedade, com redução de custos, mas que também promova um sector gerador de cadeias de valor sustentáveis. A produção de energia solar apresenta várias vantagens relativamente a outras fontes de energia renováveis, nomeadamente o facto de não destruir irreversivelmente uma área significativa, como acontece no caso das albufeiras associadas à energia hídrica aproveitada em barragens, não emite poluentes e não põe em causa uma adequada gestão florestal necessária para o armazenamento de carbono, como acontece com o uso da biomassa para queima, não tem problemas de ruído, nem requerimentos tão exigentes de localização como a eólica, e, acima de tudo, tem dos menores custos, não implicando uma manutenção extensiva. A acrescentar a isto, há ainda a capacidade de ter uma implantação descentralizada e do perfil de produção coincidir com as alturas do dia de maior procura.
Terá Portugal a capacidade e visão estratégica para potenciar este recurso como fonte energética sustentável e eficiente?
André Pinção Lucas
6 de Junho de 2022
Os factos vistos à lupa
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