Há vários tipos de prendas, que podem ser objectos valiosos, viagens ou apenas simbólicas. Estas muitas vezes valem mais do que as mais caras, ao ser levada em linha de conta a intenção de premiar o mérito ou feito.
Há várias palavras para descrever as prendas, tais como oferta, presente, recordação, regalo, brinde, mimo, lembrança, donativo, consoante uma escala de valores que cada um pretende atribuir à mesma.
Quero juntar mais um sinónimo, que todos bem conhecem, mas que infelizmente não o querem mencionar; corrupção!
Cada palavra tem um significado diferente, para quem oferece e para quem recebe.
Pode parecer preciosismo linguístico, mas na verdade, o contexto em que se emprega cada uma das palavras, tem uma lógica muito clara em relação ao acto de oferecer prendas.
Longe vão os tempos em que se oferecia um bolo-rei ou uma garrafa de espumante, não para corromper, mas para mostrar um reconhecimento ou respeito pela pessoa.
Infelizmente os limites da decência e da moral, foram ultrapassados, passando de uma simbólica prenda, para uma pornográfica oferenda, surgindo a intenção corruptível.
Esta entrou no nosso quotidiano, atingindo valor de lei, servindo para pisar e humilhar os que não possuem conhecimentos nem meios para corromper, criando desigualdades gigantescas, que poderão um dia desencadear acções catastróficas para a espécie humana.
A decência e o respeito têm limites, que alguém deve repor com a maior urgência possível.
Infelizmente desde Abril de 1974 que temos recebido excelentes prendas, desde um simples cravo, até ao presente envenenado, passando por alguns mimos para nos consolar.
As ofertas, essas, eram ricas, chorudas e apelativas aos nossos sentidos, esquecendo por completo o velho ditado “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.
Deixámo-nos adormecer perante tanta fartura, caindo no logro dos promotores destas benesses, pois ninguém dá nada a ninguém, muito menos a classe política e bancária.
Era o crédito para a casa, o “leasing”para o popó, para aquelas viagens de sonho, os apartamentos para férias, electrodomésticos, programas de televisão por cabo que nunca teremos tempo de os ver todos, para não falar no computador, mais tarde os “smartphones”, que hoje em dia nos escravizam e controlam.
A classe política empurrou-nos, primeiro para o “paraíso europeu”, para logo a seguir nos irem aos bolsos com uma rapidez e um apetite devorador pelas nossas parcas economias; o euro!
Tantos milhões, que mais parecia um dilúvio, entraram pela porta do banco de Portugal a uma tal velocidade, que muitos deles nem chegámos a cheirá-los ou a pôr-lhe a vista em cima.
Atrás desses tesouros vieram os piratas dos tempos modernos, que se muniram, não de espadas, mas de palas para os olhos do povo, que até, sem perna de pau, começou a coxear.
O éden, proposto pelo capitão gancho, não foi mais do que umas chibatadas dadas na crença que o povo depositou neles.
A ganância do dinheiro fácil, sem controlo, fez desmoronar as consciências da classe política, se é que as tinham, primeiro, muito suavemente e depois à descarada, na praça pública, sem comentários ou explicações que devem ao povo que os elegeu.
Portugueses! Por nossa culpa, batemos no fundo e como se não bastasse a crise económica, agora atingimos o apogeu com uma crise de valores morais que nos colocam no inferno.
Portugueses que recebem esmolas, a que eles chamam pomposamente pensões de reforma, humilhantes, vergonhosas, que nos obrigam a vegetar, para agora assistirmos à ultrajante atitude( mais uma) da mais alta figura do estado no favorecimento de estrangeiros em detrimento dos nacionais.
Essa coisa do altruísmo e humanismo, são para ser executadas quando na nossa casa as necessidades básicas estão asseguradas às populações, que tirando à sua boca para contribuir para um país digno, se vê, subitamente, atirado para o lixo, sem direito a nada.
Sou cidadão do mundo, mas antes de mais sou português e sinto-me enxovalhado, humilhado, gozado e outras coisas terminadas em “ado”por tanta falta de decoro.
Há pessoas, seres humanos, com gigantescas necessidades para sobreviver, que sem voz ou força para reclamar destas injustiças, sentem-se marginalizados e tratados como portugueses de segunda ou refugo.
Até quando iremos permitir esta falta de vergonha, esta imoralidade?
Até quando iremos permitir que os nossos idosos vivam como se estivessem na idade média?
Até quando iremos permitir que as nossas crianças sejam usadas em nome de minorias?
Até quando iremos permitir que sondagens, maliciosas e manipuladoras, alterem a intenção de voto dos portugueses?
Desde quando 515 entrevistas podem servir de base para analisar o comportamento do PR e legislar que 15,90 % é maioria absoluta?
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
PS- A prenda que desejo é assistir ao julgamento dos destruidores de Portugal.