O presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano, presidiu hoje, em Coimbra, à reunião do conselho directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), na ausência do presidente da associação, Pedro Pimpão, e defendeu no final que o Orçamento do Estado para 2027 deve dar aos municípios os recursos para as competências que o Estado lhes tem transferido.
Como um dos cinco vice-presidentes da ANMP, coube-lhe conduzir os trabalhos. A ocasião teve um significado pessoal para Massano, que chegou à presidência da Câmara de Manteigas a 26 de Setembro de 2021, aos 31 anos, eleito por um movimento independente e sem filiação partidária. E decidiu assinalar a data com uma mensagem publicada ao início da noite no Facebook, onde diz ter decidido celebrar este marco pessoal e dar-lhe importância, por muito insignificante que possa parecer a alguns. “Posso, então, dizer-vos que hoje senti que às vezes é possível. Que, quando queremos e trabalhamos para o bem, as coisas acontecem”, escreveu.
“Foi uma honra e um orgulho ter tido esta oportunidade não só por mim, mas também por todos os que diariamente lutam e trabalham para poderem dizer aos filhos que vale a pena acreditar e que as condições em que nascemos e crescemos não têm de definir o nosso futuro”, acrescentou. Diz fazê-lo numa altura de desigualdades crescentes e em que estudar no ensino superior parece cada vez mais difícil para muitos jovens do interior. Dedicou o dia à família e às crianças e jovens que merecem crescer num país com oportunidades iguais.
Massano diz não ter nascido na política. Os pais e os avós, descreve, nunca foram figuras influentes da comunidade: eram pastores, agricultores, cozinheiras, leiteiras, assalariados e pequenos comerciantes. “Eram e são pessoas simples, humildes e trabalhadoras”, escreveu. Sobre Manteigas, afirma que é um dos concelhos mais pequenos do país e dos que têm menor população, sem poder, dinheiro ou estatuto. E recorda: “A verdade é que aquele miúdo, que em 2008 saiu assustado e cheio de lágrimas no rosto do único lugar que conhecia, conseguiu.”
Horas antes, em declarações à agência Lusa, Massano falou sobre a reunião e apontou as áreas em que os municípios assumiram responsabilidades, da protecção civil à educação, passando pela acção social e pela saúde. Afirmou ainda que os municípios já tinham assumido a transferência de competências na acção social, área em que a associação está satisfeita com os resultados, mas que a Prestação Social Única agrega agora mais de 11 prestações sociais. Considera que a proximidade das autarquias às populações tem permitido uma resposta eficaz no domínio social, mas que qualquer novo modelo deverá garantir condições adequadas para a sua aplicação.
“Nós amanhã [quinta-feira] temos uma reunião com o Ministério do Trabalho, precisamente para percebermos como é que isso vai ser feito, que competências adicionais é que isso significa para os municípios e se isso vai implicar ou não o reforço de meios financeiros e de meios humanos”, destacou.
Foto: Noémia Novais
