O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, alerta, em entrevista ao jornal O Interior, que a ausência da barragem de Assedasse poderá comprometer o abastecimento de água na região, admitindo que “mais ano menos ano, vamos ficar sem água para beber” se o projecto não avançar.
O também presidente do conselho de administração da Águas Públicas em Altitude (APAL) defende que os problemas hídricos devem ser resolvidos “a montante” e não apenas “a jusante”, sublinhando a necessidade de uma intervenção estrutural na gestão dos recursos.
A construção da barragem no planalto de Videmonte, também conhecida como Assedasse, surge como peça central dessa estratégia. Segundo Sérgio Costa, a chamada “cascata hidráulica” do rio Mondego deve ser concretizada não só para regular os caudais no Baixo Mondego, mas também para garantir “a sustentabilidade da vida humana”.
Actualmente, vários territórios dependem da barragem do Caldeirão para o abastecimento de água, nomeadamente Guarda, Celorico da Beira, parte do concelho de Pinhel, Fornos de Algodres durante o Verão e duas freguesias de Gouveia. O autarca recorda que, no final de 2022, a situação atingiu níveis críticos.
“Tínhamos água para dois meses”, afirma, acrescentando que os dois anos de precipitação elevada entretanto registados não afastam o risco de novos períodos de seca prolongada.
Os estudos para a barragem de Assedasse já foram realizados e entregues às entidades competentes, mas a concretização do projecto depende de financiamento, estimado em vários milhões de euros, tanto para a fase final de estudos como para a execução da obra.
Sérgio Costa sublinha ainda que, apesar do avanço previsto para a barragem de Girabolhos, essa infra-estrutura não dispensa a construção de Assedasse, considerando ambas essenciais para garantir a segurança hídrica da região.
