Correio da Beira Serra

Presidente da República António José Seguro regressou à Mourísia e pediu menos palavras e mais apoios ao Interior

“Muitos dos problemas que existem dependem daquilo que podemos fazer para os melhorar. A atenção de que a Mourísia e o Interior do nosso país precisam exige respostas da política”. Foi assim que o Presidente da República, António José Seguro, se dirigiu hoje aos habitantes da aldeia da Mourísia, no concelho de Arganil, que aproveitaram a visita para relatar dificuldades e preocupações ainda marcadas pelos incêndios do Verão passado.

Rodeado por moradores que fizeram questão de o receber, Seguro escutou histórias de quem enfrentou as chamas e sublinhou a coragem demonstrada pela população quando a aldeia esteve cercada pelo fogo. “Só de olhar para estas encostas e percebermos que durante a noite as chamas caminhavam no vosso sentido e o que foi a vossa coragem, a vossa bravura, resistência e combate, isso enternece-me como motivo de grande orgulho da maneira de ser português”, afirmou.

O Chefe de Estado recordou a visita anterior e garantiu que não esquecerá Mourísia nem o Interior. “Estive cá em Agosto e disse que não me esquecia. Marcou-me muito aquela bandeira e a vossa resistência. Estou ao vosso lado”, declarou.

Além de agradecer a coragem da população e dos autarcas, António José Seguro apelou à concretização dos apoios prometidos. “Menos expectativas e mais apoios. Menos palavras e mais actos. Que as pessoas possam ter a certeza de que quando o poder político fala é para valer”, disse, reafirmando que será “um Presidente da República exigente”.

Durante a visita, o Presidente reconheceu que não dispõe de poder executivo, mas sublinhou o papel político da Presidência. “Não tenho poder executivo no nosso país, mas tenho o poder da palavra”, afirmou, manifestando o desejo de que, quando regressar à aldeia no próximo ano, os apoios já tenham sido concretizados.

O presidente da câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, alertou que o município continua à espera da assinatura dos contratos relativos aos prejuízos provocados pelos incêndios do Verão de 2025, avaliados em cerca de 4,5 milhões de euros. “Quando se fazem promessas de apoio é importante que essas promessas sejam concretizadas. Ainda há apoios por entregar em termos dos incêndios. Não pode acontecer”, sublinhou o Presidente da República.

António José Seguro deu ainda o exemplo da Comissão Técnica Independente criada pelo Parlamento para avaliar os incêndios. “A lei entrou em vigor em Janeiro e a comissão ainda não tem todos os membros, que são doze, para poder começar a funcionar. Dentro de poucos meses teremos novamente o Verão e uma época potencial de incêndios. Isto é um exemplo do que não pode acontecer no nosso país. Quando se toma uma decisão, ela tem de ser no momento certo e deve entrar em funcionamento para cumprir os seus objectivos. E isto não precisa de dinheiro, apenas de mudar a maneira como se faz política em Portugal”, afirmou.

O Chefe de Estado reafirmou ainda o compromisso com o Interior, com a qualidade de vida das populações e com a garantia de que não existem descriminações. “Conheço a determinação deste povo para melhorar as suas condições de vida. Mas também conheço o movimento de pessoas que se deslocam cada vez mais para os grandes centros, onde encontram condições que muitas vezes não existem aqui. É neste equilíbrio entre regiões e territórios, mas também tendo em conta a vontade das pessoas, que avançamos e progredimos. O meu desejo é que as pessoas vivam com qualidade e que o Estado não lhes falte, independentemente do local onde decidam viver”, disse.

O  novo Presidente da República anunciou que a primeira presidência aberta do seu mandato terá lugar na região Centro. “Ainda não há data nem local, mas anunciarei até ao final da semana, quer a data quer o local, para a primeira presidência aberta, que vai ser precisamente na região Centro”, concluiu.

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