O presidente da República vai estar na Aldeia Viçosa, uma freguesia do concelho da Guarda, no dia 26 de Dezembro. A visita insere-se no périplo que Marcelo Rebelo de Sousa está a realizar pelas zonas fustigadas pelos incêndios de Agosto, mas, neste caso, também para tomar contacto com o tradicional Magusto da Velha, uma festa secular que se realiza naquela localidade no dia a seguir ao dia de Natal e que é única no país. O presidente da República é aguardado pelas 16h00.
“É um motivo de enorme satisfação para a nossa comunidade esta visita e significa também que a tradição do Magusto da Velha já tem expressão nacional”, explica o presidente da Junta de Freguesia, Luís Prata, que recentemente anunciou o regresso da festa. “É com todo o orgulho que apresentamos o programa para o Magusto da Velha 2022, o ano do regresso nos moldes tradicionais (nos dois anos de pandemia, levámos o Magusto a casa de cada conterrâneo). Convidamos todos a participarem nesta festa Secular (século XVI/XVII) e singular (única no mundo). Iremos distribuir castanhas e vinho (para cumprir o Testamento), rebuçados, torradas no melhor azeite do mundo (o nosso), jeropiga”, refere uma nota da autarquia.
O evento contará com a participação do grupo Hereditas, Tiago Sami Pereira, Grupo de Percussão de Valhelhas, DJ Maximus e os sinos irão repenicar. “O Madeiro de Natal irá aquecer-nos. Atenção às cavaladas, não se podem distrair. O Magusto da Velha promete invadir todos os nossos cinco sentidos”, sublinham, sem esquecer a missa por alma da Velha como manda o Testamento. “Presença obrigatória, porque o Magusto é também a celebração da solidariedade”, conclui a missiva.
O “Magusto da Velha” é revivido anualmente no dia 26 de Dezembro e conta, entre todas as actividades, com uma missa na igreja matriz por alma da “velha” e de António Martins, o único Soldado nascido em Porco, hoje Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda e morto na 1ª Guerra Mundial, no dia 16 de Junho de 1917.
A história da tradição de Aldeia Viçosa, mencionada no livro “Livro de Usos e Costumes desta Igreja do Lugar de Porco”, do Padre António Soares Meirelles, conta que foram lavradas escrituras com o gesto desta Velha, em que esta estabelece um compromisso com a Igreja local: “Tem obrigação de dar (…) cinco meios de castanha e cinco alqueires de vinho pela alma de uma velha que deixou noventa e seis alqueires de centeio a esta Igreja impostos na Quinta do Lagar de Azeite para que com esta castanha e vinho se fizesse no mesmo dia um magusto e todos dele comessem e rezassem na Igreja um Padre Nosso pela sua alma”.
Desde então, o povo tem organizado esta festa que recorda o gesto benemérito de quem deu de comer aos pobres em plena época medieval, uma época caracterizada por fomes, guerras e doenças. São comprados 150 quilos de castanhas que são atirados do alto da torre da Igreja Matriz, única classificada como Interesse Público do concelho da Guarda.
