Correio da Beira Serra

Presidente dos bombeiros de Arganil diz que demitiria o Comandante apanhado a conduzir com excesso de álcool se ele não o tivesse feito

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Arganil, Nuno Costa, que foi detido, na quinta-feira, após conduzir alcoolizado uma ambulância com um doente. O condutor, que  transportava um doente do Mucelão para o Sub de Arganil, teria uma taxa de álcool no sangue de 1,6 g/l, quando os condutores de veículos de socorro estão impedidos de conduzir com uma taxa igual superior a 0,2 gramas no sangue. Nuno Costa demitiu-se de imediato. O presidente da instituição assegura que se o comandante não tivesse tomado aquela, seria demitido administrativamente via processo disciplinar.

O presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arganil, porém, assegura que o comandante comunicou-lhe telefonicamente, na quinta-feira, a intenção de se demitir do cargo, tendo formalizado essa acção por escrito (via e-mail) durante o dia de hoje.

“Ele disse-me que não ficaria nem mais um minuto para não prejudicar a Associação, após ter cometido um erro crasso. Disse que se sentia responsável e que assumia a responsabilidade. Depois de ontem [quinta-feira] ter levado um doente às urgências, a GNR foi ao seu encontro para lhe fazer o teste do álcool que estava para além dos limites, na sequência de uma denúncia de um familiar que ia atrás da ambulância”, informou. “Se ele não tomasse essa posição teria de ser eu a tomá-la, com um processo disciplinar. Não havia outra alternativa”, conta o presidente da instituição. “Foi um erro grave e grosseiro que manchou a folha de um bom profissional. Ele assumiu isso. É um caso que poderia acontecer a qualquer um, mas não a quem se encontra ao serviço de uma associação de bombeiros que transporta doentes urgentes doentes”, referiu Pedro Pereira Alves.

Nuno Costa comandou os Bombeiros Voluntários de Arganil nos últimos dez anos, tendo há pouco mais de meio ano manifestado a sua intenção de não ser reconduzido no cargo. “A sua comissão de serviço terminava em 10 de Agosto, passando depois Nuno Castanheira a ser o novo comandante”, acrescentou, frisando que na comunicação que teve com o comandante “ele mostrava-se decidido a que a demissão fosse efectiva a partir de ontem”.

De acordo com Pedro Pereira Alves, o comandante “reconheceu imediatamente o seu erro crasso”. “Fiquei surpreendido com toda esta situação. Trata-se de uma pessoa séria, trabalhadora e correcta, um comandante muito minucioso e que inclusive está a fazer uma pós-graduação em Protecção Civil”, disse. A passagem do comandante ao Quadro de Honra, que já estava aprovada, já não se vai verificar.

Comandante dos bombeiros de Arganil incorreu num crime

Recorde-se que os condutores de veículos de socorro estão impedidos de conduzir com uma taxa igual superior a 0,2 gramas no sangue. A mesma regra aplica-se aos novos condutores (durante os três primeiros anos de validade da carta de condução), de serviço urgente, de transporte colectivo de crianças e jovens até aos 16 anos, de táxi, de automóvel pesado de passageiros ou mercadorias, ou de transporte de mercadorias perigosas. Se a taxa de álcool no sangue for igual ou superior a 1,2 g/l, é considerado crime e punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias, se a pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal. Neste caso são igualmente retirados 6 pontos.

 

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