Após quase nove décadas de história, o clube mais representativo do concelho de Oliveira do Hospital chegou a um ponto crítico. Está sem direcção, sem estabilidade financeira e sem garantias de futuro. Vive dias de incerteza e de desgaste. A equipa sénior, que corre o risco de desaparecer, caiu da Liga 3 para o Campeonato de Portugal e, ao contrário do que muitos preferem insinuar, não foi apenas por questões desportivas. Foi, sobretudo, por abandono político e de ausência de infra-estruturas.
O estádio existe, sim. Mas não reúne as condições técnicas e regulamentares exigidas para acolher competições profissionais como a Liga 3. Não é uma questão de falta de vontade — é uma questão de ausência de investimento. Durante quase duas décadas, prometeram-se infra-estruturas adequadas: um complexo desportivo, um estádio com certificações, instalações à altura da ambição do clube e da dignidade da cidade. Prometeram. Repetidamente. Cumpriram? Nunca.
A consequência foi esta: durante anos, o Futebol Clube de Oliveira do Hospital teve de jogar fora de casa, no concelho vizinho de Tábua. Como um corpo deslocado. Como um clube exilado, a viver da generosidade dos outros. Isso teve custos profundos. Não apenas para a direcção e para os atletas. Teve custos para o comércio local, para a economia da cidade, para a imagem do concelho. E, pior do que tudo, para a identidade do clube.
Ao longo de vários anos, a actual direcção e, em particular o seu presidente, manteve o FC Oliveira do Hospital na Liga 3 com enorme esforço e quase nenhum apoio institucional. Fê-lo com sacrifício pessoal, paixão pelo clube e teimosia. Mas ninguém resiste eternamente ao isolamento.
Na próxima segunda-feira, haverá assembleia geral extraordinária para eleger os órgãos sociais para o biénio 2025-2027. O actual presidente, a alma do clube nos últimos anos, já anunciou que não se recandidata. Compreende-se. É difícil continuar quando se bate numa parede durante tanto tempo.
E os responsáveis municipais? Sentem algum incómodo pelo estado a que deixaram chegar o clube? Sentem vergonha? Têm consciência de que falharam? Ou irão, como sempre, prometer mais uma vez aquilo que já ninguém acredita que venham a cumprir?
Estamos em ano de eleições. O desporto voltará aos discursos. Mas o histórico não deixa margem para dúvidas: nos últimos 16 anos, os executivos socialistas falharam em toda a linha no que toca ao apoio ao clube e à construção de infra-estruturas desportivas dignas. Prometeram muito. Fizeram quase nada.
Hoje, a mudança deixou de ser um desejo. É uma necessidade. E não apenas para salvar uma equipa sénior. Trata-se de resgatar a dignidade de um clube fundado em 1938, com quase noventa anos de história. Um clube que foi tratado como fardo, quando devia ser tratado como emblema do concelho.
Ainda acredito que haja empresários em Oliveira do Hospital com capacidade e vontade para devolver o clube ao lugar que merece. Se surgirem, podem contar connosco, dentro das nossas possibilidades. Mas não se pode continuar a fingir que está tudo bem. Porque não está. Não há desporto digno onde há promessas vãs de uma Câmara que em 16 anos nada fez. Venha outro executivo.
Autor: Fernando Tavares Pereira
