No meu tempo de escola não tinha calculadora, computador ou telemóvel.
Tinha que saber a tabuada da frente para trás e de trás para a frente, declamar os tempos dos verbos, conhecer os rios e os caminhos-de-ferro, cantar o hino nacional amiudadas vezes, respeitar os colegas e os professores.
Em vez do computador, escrevia numa ardósia, que às vezes tombava da carteira e era o fim.
Carteira, que não tinha dinheiro, nem cartões de crédito, apenas um tinteiro para molhar o aparo e que muitas vezes me entalou os dedos, pois não era suficientemente rápido para tirar a mão do seu interior.
A história de Portugal tinha que ser contada com o livro fechado, com as datas na ponta língua, os nomes dos ilustres antepassados e os respectivos cognomes.
Muitos estarão a dizer que os tempos eram outros e que hoje é diferente.
Esta exclamação que muitos usam, serve para desculpar as faltas de respeito para com os colegas e sobretudo para com os professores, que sem “autoridade” para aplicar um correctivo chamado, reguada, muitos chegam às suas casas com olhos negros ou ameaças guardadas no coração e sem vontade de voltar no outro dia.
Hoje há explicações para tudo, defendendo o que não tem defesa e permitindo acções recrimináveis, que desequilibram a harmonia, já de si, pouco estável.
Estou a lembrar-me de uma palavra, “bullyng”, muito em voga e que até parece de bom-tom usá-la, mostrando que estão informados, esquecendo-se que estão desactualizados.
No meu tempo de escola esse fenómeno já existia mas com outras denominações, mais a condizer com o nosso povo e eram as conhecidas chapadas, chutos e pontapés, que algumas vezes nos obrigava a usar uns agrafes, pontos ou gatos e ostentar as conhecidas nódoas negras, provando que tínhamos sido vítimas de “porradallyng”.
O respeito e a educação não passam de moda, ajudando o ser humano a ser mais sociável, contribuindo para uma melhor formação do carácter do indivíduo.
Havia um processo para verificar se o resultado das contas de somar estava correcto, a famigerada prova dos nove.
Esta expressão extravasou o espaço da escola, pois continua a usar-se, metaforicamente falando, em muitas análises que se fazem no dia-a-dia, como por exemplo, tirar a prova dos nove ao comportamento de determinada pessoa ou produto, desfazendo toda e qualquer duvida que pairasse sobre os mesmos.
Há algumas décadas que ando a tirar a prova dos nove ao comportamento dos que tomaram as rédeas do poder em Portugal e, salvo raras excepções, as contas estão erradas.
Os nossos “matemáticos” não conseguem efectuar divisões, adições ou divisões, pois a única operação, em que são exímios executantes, é a subtracção, tirando os nove fora.
Um dos “matemáticos” sobre o qual a minha prova dos nove mais tem incidido é o PM, António Costa, logo seguido pelo PR, Marcelo Rebelo de Sousa e é a este que vou tirar a prova dos nove sobre algumas operações por ele efectuadas.
Vamos adicionar água do mar com natação e depois da água tirada, só resta o espectáculo televisivo proporcionado pelo nadador salvador, que quando foi para a praia já sabia que ia acontecer um afogamento, tendo-se munido dos apetrechos adequados ao momento.
Tirando a prova dos nove, verificamos que a bota não dá com a perdigota.
Se rebobinarmos as cassetes dos incêndios e adicionarmos, promessas com selfies, chegaremos à conclusão que se tirarmos a TV, a conta estava errada, pois nada bate certo.
Adicionando um fotógrafo com um presidente, vamos verificar que as duas profissões não podem ser adicionadas, pois será como adicionar alhos com bugalhos, estendendo e complicando tanto os temas, que confunde as pessoas, inclusive, ele próprio.
Vou relembrar mais uma adição, que feita a prova dos nove, não seu resultado certo.
Na altura em que andavam a discutir a obrigatoriedade do uso das máscaras pelas crianças nas escolas, o PR foi inquirido por um jornalista sobre o que ele achava desta medida, pois havia várias correntes e nem todas eram consensuais sobre o tema.
O senhor, D. Marcelo, El Confinador, tirou a prova dos nove e de imediato disse que estava de acordo com essa obrigatoriedade, pois se não fosse por uma questão de saúde, seria por educação.
A prova dos nove não poderia, nunca, dar certa, pois não se podem adicionar, saúde e educação, logo não seria exequível a adição, muito menos a prova.
Eu acredito que o senhor Rebelo de Sousa tenha andado na escola primária e tenha aprendido a tirar a prova dos nove, logo presumo que se terá esquecido de como se faz, mas não às grávidas, pois nessas foi muito mais completo, meteu auscultação e beijo.
Acredito mais em esquecimento, pois já deu provas, em várias ocasiões, de que a sua memória não estará a funcionar em perfeitas condições.
Eu já tirei a prova real sobre algumas atitudes e as minhas operações estão correctas.
Lamentavelmente o senhor Marcelo permite que os seus colaboradores cometam os mesmos erros, por alheamento, por esquecimento ou por comodismo.
A ultima operação que realizou, está toda errada, desde as parcelas até ao resultado, tendo esta sido realizada no dia 10 de Junho nas comemorações do dia de Portugal
Devo lembrar ao senhor Marcelo Rebelo de Sousa de que ele é presidente de Portugal, mas não de todos os portugueses, nos quais me incluo.
Um presidente, de um pobre país periférico, deve ter o máximo cuidado com as contas que faz e sobretudo com aquilo que diz ao país, pois pode ofender ou melindrar.
O seu discurso do dia 10 de Junho de 2022, caiu-me muito mal, pois segundo a sabedoria popular, quem não se sente, não é filho de boa gente.
E eu sou filho de boa gente, logo não posso calar a minha indignação no que toca ao referido discurso, o que me fez escrever este artigo de opinião.
Foi a prova dos nove, dura e crua, que tirei das suas atitudes como presidente de Portugal.
Portugal não existe por causa daqueles que apelidou de Arraia-miúda.
Portugal existe porque tem um povo humilde, trabalhador e pacifico, respeitando as instituições, apesar de muitas vezes, em silêncio ou silenciado, não concordar com elas ou com os seus representantes.
Aprendi que o termo arraia-miúda é depreciativo e é usado para classificar algo ou alguém insignificante, logo estou chocado com o presidente de Portugal, por este se ter dirigido ao povo, que lhe paga o seu vencimento, nestes termos.
Esta Arraia-miúda é que tornou possível o senhor estar no lugar que ocupa e que merecia outras palavras. Portugal existe porque tem um povo trabalhador, empreendedor, humilde e sacrificado, vítima de muitos fidalgos narcisistas e pedantes, que nos conduziram ao estado em que estamos, pobres, incultos e dominados, na cauda da Europa.
Senhor Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, agradecemos um pedido de desculpas pelo infeliz discurso e depois, faça as malas para ir gozar a reforma no seu cantinho, podendo assim aproveitar o tempo para aprender sinónimos, tabuada e a prova dos nove.
Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
